Técnico Van Gaal fracassou com um elenco repleto de estrelas de Barcelona, Juventus e Manchester United
Enquanto o Brasil comemorava o pentacampeonato mundial em Yokohama no dia 30 de junho de 2002, uma das seleções mais talentosas daquela geração assistia à Copa do Mundo à distância. A Holanda, que havia chegado às semifinais da Euro de 2000 jogando um dos futebol mais elogiados da Europa, fracassou nas Eliminatórias e sequer conseguiu vaga para o Mundial disputado na Coreia do Sul e no Japão.
A ausência chamou atenção porque o elenco holandês reunia alguns dos principais jogadores do futebol europeu no início dos anos 2000.
Edwin van der Sar era referência no gol após passagem pela Juventus. Jaap Stam havia se tornado um dos zagueiros mais respeitados do continente no Manchester United. Frank de Boer comandava a saída de bola e carregava a braçadeira de capitão. Edgar Davids vivia grande fase na Juventus. Clarence Seedorf acumulava protagonismo em Champions League por gigantes europeus. No ataque, Ruud van Nistelrooy e Patrick Kluivert estavam entre os centroavantes mais perigosos daquele período.
Mesmo com tantos nomes de peso, a seleção dirigida por Louis van Gaal nunca encontrou estabilidade nas Eliminatórias.
Parte da queda começou ainda antes da disputa por vaga na Copa.
A Eurocopa de 2000, realizada na Holanda e na Bélgica, deixou marcas profundas naquele grupo. Jogando em casa e apontada como favorita ao título, a Holanda foi eliminada pela Itália na semifinal após desperdiçar uma sequência inacreditável de pênaltis. Durante a partida, Frank de Boer e Patrick Kluivert perderam cobranças no tempo normal. Depois, na disputa decisiva, os holandeses voltaram a falhar repetidamente.
Anos mais tarde, jogadores da seleção admitiram que a derrota abalou emocionalmente o elenco. O intervalo curto entre a Euro e o início das Eliminatórias não permitiu uma recuperação psicológica do grupo.
A estreia contra a Irlanda, em Amsterdã, já indicava que a campanha seria turbulenta.
Mesmo jogando em casa, a Holanda viu os irlandeses abrirem 2 a 0 ainda no primeiro tempo com Jason McAteer e Robbie Keane. O time de Van Gaal parecia lento, desorganizado e emocionalmente abalado. O empate veio apenas nos minutos finais, com gols de Talan e Van Bronckhorst, evitando uma derrota que poderia ter provocado crise ainda maior logo no início da caminhada.
O grupo ainda tinha Portugal vivendo um de seus melhores momentos recentes.
Luís Figo havia acabado de conquistar a Bola de Ouro, Rui Costa comandava o meio-campo do Milan, enquanto Pauleta atravessava grande fase como artilheiro. O confronto direto entre portugueses e holandeses passou a ser tratado como decisivo pela liderança da chave.
O duelo disputado em outubro de 2001, em Roterdã, acabou se tornando o símbolo da eliminação holandesa.
Precisando vencer, Van Gaal promoveu mudanças improvisadas na equipe. Phillip Cocu foi deslocado para a defesa, enquanto Wilfred Bouma apareceu em função ofensiva. A Holanda teve posse de bola, mas criou pouco diante de uma seleção portuguesa mais organizada e eficiente.
Portugal venceu por 2 a 0 com gols de Pauleta e Sérgio Conceição. A derrota praticamente encerrou as chances holandesas de classificação.
Pouco depois, Louis van Gaal anunciou sua saída da seleção em uma entrevista coletiva marcada pela emoção. O treinador havia assumido o projeto com um contrato longo e a promessa pública de conquistar a Copa do Mundo. Menos de dois anos depois, deixava o cargo sem sequer conseguir levar a Holanda ao torneio.
A ausência holandesa alterou diretamente a configuração da Copa de 2002
Sem uma das seleções mais técnicas da Europa, o torneio perdeu jogadores que chegavam em grande fase individual. Van Nistelrooy havia se transformado em fenômeno de gols no Manchester United. Seedorf seguia acumulando protagonismo internacional. Davids era um dos volantes mais completos do futebol europeu. Kluivert vinha de temporadas fortes no Barcelona.
Ao mesmo tempo, a eliminação aumentou o peso simbólico de uma geração frequentemente lembrada pela qualidade técnica, mas também pela incapacidade de transformar talento em títulos relevantes.
Enquanto Cafu levantava a taça do pentacampeonato brasileiro no Japão, a Holanda encerrava um dos ciclos mais frustrantes de sua história recente longe dos gramados da Copa do Mundo
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