França, Itália, Espanha e Alemanha viveram eliminações precoces após conquistar o Mundial
Defender um título mundial tornou-se uma das tarefas mais difíceis do futebol moderno. Nas últimas décadas, seleções que chegaram à Copa do Mundo carregando o status de campeãs acabaram eliminadas ainda na fase de grupos, em campanhas marcadas por desgaste físico, dificuldade de renovação e atuações muito abaixo do esperado. França em 2002, Itália em 2010, Espanha em 2014 e Alemanha em 2018 repetiram o mesmo roteiro: desembarcaram cercadas por favoritismo e deixaram o torneio antes do mata-mata. As únicas campeãs recentes a escaparem dessa sequência foi a França em 2022 e o Brasil em 2006.
A seleção franceça mesmo convivendo com lesões importantes antes do torneio, conseguiu chegar novamente à final da Copa do Mundo no Catar, sendo derrotada pela Argentina apenas nos pênaltis. Já o Brasil em 2006 até conseguiu passar da primeira fase mas apresentou um futebol pobre e foi eliminado nas quartas de final para a França.
A campeã do mundo que saiu sem marcar gols
A maldição dos campeões começou justamente com a França, na Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.
Campeã mundial em 1998 e vencedora da Eurocopa em 2000, a equipe francesa chegou à Ásia apontada como principal favorita ao título. O elenco reunia Thierry Henry, artilheiro da Premier League pelo Arsenal, David Trezeguet vivendo grande fase na Juventus e Djibril Cissé como destaque do Campeonato Francês. No meio-campo, Zidane era considerado o principal jogador do planeta após conquistar a Champions League pelo Real Madrid.
Dias antes da estreia, porém, Zidane sofreu uma lesão muscular em amistoso contra a Coreia do Sul. Sem o camisa 10, a França perdeu criatividade e intensidade ofensiva.
A derrota para Senegal na abertura da Copa transformou a pressão em crise imediata. Papa Bouba Diop marcou o gol da vitória africana após jogada iniciada por El Hadji Diouf. Depois veio o empate sem gols contra o Uruguai, em jogo marcado pela expulsão de Thierry Henry ainda no primeiro tempo. Na rodada decisiva, Zidane voltou no sacrifício contra a Dinamarca, mas os franceses perderam por 2 a 0 e terminaram a competição sem marcar um único gol.
Até hoje, a França de 2002 segue como a única campeã mundial eliminada na fase de grupos sem balançar as redes.
A velha guarda italiana afundou na África do Sul
Oito anos depois, a Itália repetiria o fracasso na África do Sul com a base da equipe campeã em 2006. Os italianos chegaram ao Mundial de 2010 apoiada em um time veterano. Cannavaro, Zambrotta, Gattuso e De Rossi ainda formavam a espinha dorsal do time dirigido por Marcello Lippi.
No jogo de estreia contra o Paraguai, a atual campeã já demonstrava dificuldades ofensivas e pouca intensidade. Em uma noite chuvosa na Cidade do Cabo, Antolín Alcaraz abriu o placar para os paraguaios após cobrança de falta e falha da marcação italiana pelo alto. A Itália empatou apenas no segundo tempo, quando Daniele De Rossi aproveitou saída errada do goleiro Villar em cobrança de escanteio. O 1 a 1 ainda foi acompanhado pela lesão de Buffon, substituído no intervalo após sentir dores nas costas.
A campanha italiana piorou nos jogos seguintes. A Azzurra empatou com a Nova Zelândia e foi derrotada pela Eslováquia por 3 a 2 na rodada final, terminando na última colocação do grupo.
O colapso do tiki-taka no Brasil
Em 2014, foi a vez da Espanha encerrar de maneira abrupta um dos ciclos mais dominantes da história recente do futebol.
Campeã mundial em 2010 e bicampeã europeia, a equipe de Vicente del Bosque chegou ao Brasil ainda sustentada pela base do “tiki-taka”, com Casillas, Xavi, Iniesta, Busquets e Sergio Ramos.
A estreia diante da Holanda desmontou rapidamente a confiança espanhola. Após sair na frente, a Espanha sofreu uma goleada por 5 a 1 em Salvador. O gol de cabeça de Robin van Persie encobrindo Casillas tornou-se uma das imagens mais marcantes daquela Copa.
Na rodada seguinte, o Chile venceu por 2 a 0 no Maracanã e confirmou a eliminação espanhola ainda antes do terceiro jogo.
A queda histórica da máquina alemã na Rússia
Quatro anos depois, a Alemanha repetiria a história na Rússia.
Campeã em 2014, a seleção de Joachim Löw chegou à Copa de 2018 como uma das favoritas após conquistar também a Copa das Confederações com uma equipe alternativa.
A derrota para o México na estreia aumentou a pressão. Toni Kroos ainda evitou a eliminação antecipada ao marcar nos acréscimos contra a Suécia, mas a Alemanha entrou pressionada na rodada final contra a Coreia do Sul.
Nos acréscimos, Kim Young-gwon abriu o placar após lance validado pelo VAR. Pouco depois, Son Heung-min marcou o segundo gol com o gol vazio após erro de Manuel Neuer no campo ofensivo.
Foi a primeira vez na história moderna que a Alemanha caiu ainda na fase de grupos de uma Copa do Mundo.
O próximo alvo da escrita nas Copas?
Campeã mundial em 2022, a seleção argentina chega à Copa de 2026 mantendo boa parte da base vencedora do Catar. Lionel Messi disputará o torneio aos 38 anos. Nicolás Otamendi também seguirá como uma das referências defensivas da equipe. Ao mesmo tempo, jogadores como Enzo Fernández, Mac Allister e Julián Álvarez assumem protagonismo maior no processo de renovação.
O principal alerta talvez esteja na falta de confrontos recentes contra seleções europeias de elite. Desde a derrota para o Equador em 2025, a Argentina enfrentou poucos adversários capazes de pressionar defensivamente sua linha mais experiente. A Finalíssima contra a Espanha acabou cancelada, enquanto amistosos diante de Mauritânia, Angola, Porto Rico e Zâmbia pouco exigiram da atual campeã do mundo.
O sorteio também colocou os argentinos em um grupo teoricamente acessível, contra Argélia, Áustria e Jordânia. A tendência é de classificação tranquila, mas campanhas anteriores mostraram que seleções campeãs muitas vezes chegaram ao mata-mata sem grandes testes antes de enfrentarem adversários fisicamente mais intensos.
França, Itália, Espanha e Alemanha chegaram às Copas seguintes carregando favoritismo, experiência e continuidade de elenco. Todas acabaram eliminadas antes das oitavas de final.
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