Atual campeã mundial na época, seleção perdeu para Senegal e Dinamarca e viu Zidane voltar lesionado no jogo decisivo
A França chegou à Copa do Mundo de 2002 carregando um peso raro na história do futebol. Era a atual campeã mundial e também campeã da Eurocopa. Tinha Zinedine Zidane no auge técnico, Thierry Henry vivendo sua melhor fase no Arsenal e David Trezeguet como um dos atacantes mais letais da Europa. O elenco reunia jogadores que dominavam os principais clubes do continente. Poucas seleções desembarcaram em um Mundial cercadas por tanta confiança.
O torneio, porém, desmontou essa imagem em menos de duas semanas, e a preparação já dava sinais de desgaste. Muitos jogadores vinham de temporadas longas e intensas no futebol europeu. Zidane, principal articulador da equipe, sofreu uma lesão muscular poucos dias antes da estreia, em um amistoso contra a Coreia do Sul. A ausência mudou completamente o funcionamento do time de Roger Lemerre.
Sem o camisa 10, a França perdeu organização ofensiva e fluidez. O meio-campo passou a depender de lançamentos diretos e jogadas individuais. Henry, Trezeguet e Wiltord recebiam poucas bolas em condições favoráveis. A equipe parecia lenta e desconectada, mas a estreia, em Seul, contra Senegal, transformou a desconfiança em choque mundial.
Do outro lado havia um estreante em Copas, mas longe de ser um adversário ingênuo. A base senegalesa atuava no campeonato francês e conhecia bem vários jogadores franceses. O time africano tinha força física, velocidade e uma transição ofensiva agressiva liderada por El Hadji Diouf.
O gol da vitória saiu aos 30 minutos do primeiro tempo. Após cruzamento da direita e uma sequência de divididas na pequena área, Papa Bouba Diop aproveitou a sobra para marcar. A comemoração, ajoelhado ao redor da camisa colocada no gramado, virou uma das imagens mais marcantes daquele Mundial.
A derrota por 1 a 0 não representava apenas um tropeço. Era a primeira vez desde 1990 que o campeão vigente perdia o jogo de abertura da Copa.
No segundo jogo, contra o Uruguai, a França entrou em campo precisando vencer para evitar uma eliminação precoce. A partida em Busan foi marcada por tensão permanente. Aos 25 minutos, Thierry Henry acertou um carrinho forte e recebeu cartão vermelho direto. Com um jogador a menos, os franceses passaram a atuar de maneira ainda mais travada.
O Uruguai cresceu na partida apoiado na experiência de Álvaro Recoba e na força física de Darío Silva. Mesmo pressionada, a França ainda acertou a trave com Trezeguet. O empate sem gols, entretanto, aprofundou a crise.
Depois de dois jogos, os atuais campeões mundiais ainda não haviam marcado um único gol, e a esperança ficou concentrada no retorno de Zidane para a última rodada contra a Dinamarca.
O meia entrou em campo claramente sem condições ideais. Atuava com proteção na coxa esquerda e demonstrava dificuldade nos movimentos mais explosivos. Ainda assim, toda a responsabilidade criativa recaía sobre ele.
Três jogos e nenhum gol marcado
A Dinamarca jogou com inteligência. Marcava forte no meio-campo, fechava espaços e acelerava nos contra-ataques. Dennis Rommedahl abriu o placar ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Jon Dahl Tomasson marcou o segundo gol e definiu a vitória dinamarquesa por 2 a 0.
A França terminou a Copa na última colocação do Grupo A.
Foram três jogos, uma derrota para Senegal, um empate contra o Uruguai e outra derrota diante da Dinamarca. Nenhuma vitória. Nenhum gol marcado.
O dado causou espanto porque aquele elenco reunia alguns dos nomes mais respeitados do futebol europeu. Barthez era campeão mundial e referência no gol. Thuram e Desailly formavam uma defesa que havia atravessado anos entre as mais sólidas do planeta. Vieira era peça central do Arsenal de Arsène Wenger. Djorkaeff tinha experiência de sobra. Henry e Trezeguet estavam entre os atacantes mais decisivos do continente.
O início da maldição dos campeões mundiais
A eliminação francesa também reforçou uma escrita que se repetiria em outras Copas. Desde então, campeões mundiais passaram a sofrer frequentemente na edição seguinte. França em 2002, Itália em 2010, Espanha em 2014 e Alemanha em 2018 caíram ainda na fase de grupos.
O fracasso francês na Ásia segue lembrado porque reuniu elementos raros em um mesmo torneio: uma geração vencedora, jogadores no auge da carreira e uma queda abrupta logo na primeira fase.
A seleção que parecia imbatível desembarcou na Coreia do Sul e no Japão cercada por expectativas de bicampeonato. Voltou para casa sem marcar um único gol.
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