Há 17 anos Chelsea e Barcelona protagonizavam uma das maiores polêmicas da Champions

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Semifinal de 2009 ficou marcada por reclamações de pênaltis ignorados, revolta dos jogadores ingleses e gol de Iniesta aos 93 minutos

Em maio de 2009, o estádio Stamford Bridge, em Londres, recebeu uma das partidas mais controversas da história da UEFA Champions League. Chelsea e FC Barcelona disputavam a semifinal de volta do torneio europeu, valendo vaga na decisão contra o Manchester United. O empate por 1 a 1 classificou o time catalão pelo critério do gol fora de casa, mas o resultado ficou marcado mundialmente pela atuação do árbitro norueguês Tom Henning Øvrebø e pelas reclamações de jogadores e torcedores ingleses sobre possíveis pênaltis ignorados durante a partida.

O Chelsea entrou em campo pressionado após o empate sem gols no Camp Nou, mas conseguiu neutralizar o sistema ofensivo montado por Pep Guardiola. Aos nove minutos do primeiro tempo, Michael Essien abriu o placar com um voleio de esquerda no ângulo de Víctor Valdés. A equipe inglesa, comandada por Guus Hiddink, apostava em marcação intensa, linhas compactas e velocidade nos contra-ataques para conter o chamado “Tiki-taka” do Barcelona.

Ao longo da partida, porém, o jogo passou a ser dominado pelas decisões da arbitragem. O Chelsea reclamou de pelo menos quatro lances dentro da área envolvendo Daniel Alves, Gerard Piqué, Samuel Eto’o e Eric Abidal. O mais discutido aconteceu no segundo tempo, quando Anelka tentou invadir a área e viu a bola bater no braço de Piqué. Nos minutos finais, Ballack ainda reclamou de outro toque de mão, desta vez de Eto’o, já nos acréscimos.

A tensão aumentou porque o Barcelona pouco conseguiu produzir ofensivamente durante os 90 minutos. A equipe espanhola teve dificuldades para finalizar e encontrou um Chelsea fisicamente dominante, que parecia próximo da classificação. O cenário mudou apenas aos 93 minutos. Após troca de passes na entrada da área, Lionel Messi encontrou Andrés Iniesta livre para finalizar de primeira no ângulo de Petr Cech. Foi o primeiro chute certo do Barcelona na partida e o gol que colocou o clube espanhol na final da Champions League.

A reação do Chelsea após o apito final transformou a semifinal em um dos episódios mais lembrados da história recente do futebol europeu. Didier Drogba caminhou até uma câmera de televisão e gritou “It’s a fucking disgrace”, frase que virou símbolo da revolta inglesa naquela noite. Michael Ballack perseguiu o árbitro ainda dentro de campo em uma imagem que se tornou uma das fotografias mais emblemáticas da competição.

Nos dias seguintes, Øvrebø passou a receber ameaças de morte e precisou deixar Londres sob escolta policial. Anos depois, o árbitro admitiu em entrevista ao jornal espanhol Marca que aquela atuação “não foi seu melhor dia”. O episódio também ganhou novo peso histórico porque o Barcelona acabaria campeão europeu semanas depois, derrotando o Manchester United na final em Roma e iniciando a temporada do chamado “Sextete”, quando venceu todos os títulos possíveis sob comando de Guardiola.

Para o Chelsea, a derrota virou uma espécie de trauma esportivo. O clube só conquistaria sua primeira Champions League em 2012, justamente em uma campanha marcada por jogos dramáticos e superação contra favoritos europeus. Já a semifinal de 2009 permanece como uma das partidas mais debatidas da era pré-VAR, frequentemente citada como exemplo dos limites da arbitragem em jogos de pressão máxima.


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