Como chega a Argentina na Copa após meses sem enfrentar potências mundiais

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Seleção de Scaloni enfrentou Mauritânia, Angola, Porto Rico e Zâmbia antes da Copa e chega com Messi e Otamendi aos 38 anos para encarar Argélia, Áustria e Jordânia no Grupo J

A Argentina chega à Copa do Mundo de 2026 tentando administrar um dilema que costuma perseguir seleções campeãs: até que ponto vale prolongar a geração vencedora antes que o desgaste físico cobre a conta. Lionel Scaloni inicia o torneio com uma equipe ainda fortemente apoiada nos nomes que levantaram a taça no Catar, mas já pressionada por sinais claros de envelhecimento em setores importantes, principalmente na defesa.

A base campeã segue praticamente intacta. Lionel Messi, agora aos 38 anos, continua sendo o centro técnico e emocional da equipe no Inter Miami, embora a Argentina precise adaptar o funcionamento coletivo para preservar seu desgaste físico ao longo das partidas. Nicolás Otamendi, também com 38 anos, permanece como referência defensiva no Benfica, mas já enfrenta dificuldades maiores contra atacantes de velocidade. Nas laterais, Nicolás Tagliafico, do Lyon, e Marcos Acuña, do River Plate, representam experiência e intensidade, porém chegam ao Mundial carregando muitos anos de sequência em alto nível.

Ao mesmo tempo, Scaloni tenta acelerar a renovação sem desmontar a base campeã do mundo. O meio-campo formado por Enzo Fernández, do Chelsea, Alexis Mac Allister, do Liverpool, e Rodrigo De Paul, do Inter Miami, segue como o principal ponto de equilíbrio físico e técnico da equipe.

A nova geração começa a ganhar espaço aos poucos. Franco Mastantuono, recém-chegado ao Real Madrid, aparece como a principal promessa argentina da atualidade, enquanto Nico Paz, do Como, virou alternativa criativa para partidas mais travadas.

No ataque, a Argentina mantém um setor competitivo. Julián Álvarez, no Atlético de Madrid, vive grande fase e oferece mobilidade ao sistema ofensivo. Lautaro Martínez, da Inter de Milão, continua como referência de área, enquanto Thiago Almada, também no Atlético de Madrid, ganhou espaço recente na seleção. Flaco López, do Palmeiras, surge como opção mais física para jogos diretos.

Falta de testes contra potências acende alerta antes da estreia

O problema para Scaloni talvez esteja menos dentro do elenco e mais na ausência de testes realmente exigentes antes do Mundial. Desde a derrota para o Equador, em setembro de 2025, a Argentina praticamente não enfrentou seleções do primeiro escalão europeu. A Finalissima contra a Espanha acabou cancelado, e a sequência de jogos diante de equipes como Mauritânia, Angola, Porto Rico e Zâmbia pouco serviu para medir o verdadeiro estágio competitivo da equipe. A preocupação existe principalmente porque a defesa envelhecida ainda não foi colocada sob pressão constante contra ataques de elite.

O sorteio também não aumentou o grau de dificuldade. Integrante do Grupo J, a Argentina terá pela frente Algeria national football team, Austria national football team e Jordan national football team. A Áustria aparece como adversário mais organizado taticamente, enquanto a Argélia costuma competir bem fisicamente, mas oscila diante de seleções mais qualificadas. Já a Jordânia entra como equipe de menor peso técnico da chave.

A tendência é que a Argentina avance sem grandes dificuldades, mas justamente aí mora o principal alerta. A atual campeã do mundo pode chegar ao mata-mata ainda sem ter sido obrigada a jogar no limite físico e defensivo. Em torneios curtos, esse tipo de acomodação costuma cobrar caro quando surgem confrontos contra seleções europeias mais intensas.

Provável escalação para a Copa do Mundo

Goleiro: Emiliano Martínez (Aston Villa, 33 anos)

Defesa: Nahuel Molina (Atlético de Madrid, 27 anos), Cristian Romero (Tottenham, 27 anos), Nicolás Otamendi (Benfica, 38 anos) e Nicolás Tagliafico (Lyon, 33 anos).

Meio-campo: Rodrigo De Paul (Atlético de Madrid, 31 anos), Enzo Fernández (Chelsea, 25 anos) e Alexis Mac Allister (Liverpool, 27 anos).

Ataque: Lionel Messi (Inter Miami, 38 anos), Julián Álvarez (Atlético de Madrid, 26 anos) e Lautaro Martínez (Inter de Milão, 28 anos) ou Thiago Almada (Atlético de Madrid, 24 anos).


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