Hoje, o destaque no site Gil Arruda Sports é “prata da casa”. Conversei com meu colega de equipe, Douglas Dias, peça fundamental nas nossas coberturas de Basquete, Automobilismo e Futebol do interior.
Diretamente de Bauru (SP), Douglas abriu o jogo sobre sua trajetória, os desafios do jornalismo esportivo, suas paixões pessoais e, claro, o amor pelo rádio. Confira esse bate-papo exclusivo entre a nossa equipe:

Nathália Bulsing: Qual a sua idade?
Douglas Dias: 47 anos.
Nathália: Em qual cidade você reside atualmente?
Douglas: Bauru (SP).
Nathália: Tem filhos? Se sim, eles já mostram interesse por esportes? Douglas: Tenho 3 filhos, são eles: Yuri (24), Ana Beatriz (18) e Victor Gabriel. O Victor hoje é o mais interessado em esportes; participou de projeto do Polo Aquático oferecido gratuitamente pela ABDA, escolinha de Futebol e hoje se encontrou em um projeto de basquete que é realizado nas escolas.
Nathália: Como sua família lida com a sua rotina de trabalho (finais de semana, horários de jogos)?
Douglas: Sempre organizado, separando a rotina de trabalho e família. Durante a semana coleto informações e deixo salvo para facilitar o trabalho aos finais de semana. Procuro acordar cedo em dia de jogos, reservo uma hora para pegar as estatísticas das equipes e fazer um resumo da coleta da semana.
Nathália: De onde surgiu a sua paixão pelo esporte? Foi influência familiar ou algo que você descobriu sozinho?
Douglas: A paixão surgiu em 1982. Em casa não tinha TV, então a opção era assistir com meus pais na casa da minha tia. Era uma caminhada para assistir a Copa do Mundo de Futebol. Dois anos após, mudamos de casa para próximo ao Estádio Alfredo de Castilho, o “Big Alfredão” do Noroeste. Foi aí que o futebol tomou conta.
Nathália: O que você gosta de fazer no seu tempo livre quando não está consumindo esporte?
Douglas: Sou muito caseiro, gosto de jogos eletrônicos, assistir séries e documentários, ouvir uma boa música dos anos 80 e 90, além de realizar pesquisas na internet.
Nathália: Quem é o Douglas Dias longe do microfone e do teclado? Como seus amigos te descreveriam?
Douglas: De fácil amizade, participativo e alegre.
Nathália: Qual era o seu sonho de infância? Sempre foi ser jornalista/narrador?
Douglas: O sonho era ser jogador de futebol. Participei de escolinha de futebol, fiz alguns testes sem resultados, mas sempre agradeço os conselhos do mestre “Baroninho” (camisa 11 de um grande elenco, campeão com o Flamengo em 1981 da Libertadores e Mundial), que de forma inteligente e com sua experiência, focava primeiro em formar um cidadão — o futebol era a consequência. Na fase adulta, foi despertando o interesse do jornalismo e rádio.
Nathália: Qual foi a primeira memória marcante que você tem de uma transmissão esportiva (rádio ou TV)?
Douglas: Tenho gratidão ao Jota Moreno, Narrador e dono da Rádio Difusora Terra Branca de Bauru, e ao Curumim Manzatto que fez a indicação de me levar para participar de uma transmissão. Durante a viagem de ida à Rio Claro em 2024, para a final do Campeonato Paulista A2 entre Velo Clube e Noroeste, a surpresa foi saber que a responsabilidade de fazer o pré-jogo e o plantão esportivo era minha. O detalhe é que seria o primeiro trabalho! O famoso “frio na barriga” estava presente, mas estes profissionais me deixaram tranquilo e fizemos um grande trabalho. Com isso, faço parte da Equipe Nota Dez até os dias atuais.
Nathália: Quando caiu a ficha de que você queria trabalhar com esporte profissionalmente?
Douglas: Começou como uma brincadeira na internet durante a pandemia em 2020, com a página Hospício da Bola, criada durante um momento difícil em que o mundo passava. Eu e os amigos Douglas Burqui e Matioli brincamos de falar de futebol e, com isso, foi crescendo o interesse de formação na área de jornalismo.
Nathália: Como foi o seu início no jornalismo? Quais foram as primeiras dificuldades que enfrentou?
Douglas: Pós-pandemia, aos poucos os esportes foram voltando à normalidade. A página estava com um bom engajamento, com entrevistas com ex-profissionais como o Narrador Jota Júnior, Luis Carlos Quartarollo e o saudoso Fábio Seródio — os dois últimos sempre me incentivando na escrita. No começo, em minha cidade, não tive as oportunidades de desenvolvimento, é como se fosse uma bolha. Comecei a acompanhar pela internet os jogos do Grêmio Novorizontino na série C. Com isso conheci o programa Resenha Esporte Clube e o apresentador Adriano Leite. Minha participação pelo chat, com informações estudadas sobre o time, chamou a atenção do Adriano, que me convidou para participar. Era a oportunidade que eu esperava: a responsabilidade de ser setorista. Depois, mais oportunidades apareceram, como o Programa Esporte em Foco da Rádio Estrela FM.
Nathália: Se você não fosse comunicador esportivo, qual outra profissão teria seguido?
Douglas: O meu DNA é do rádio, meu avô foi locutor, então seria difícil não ser um comunicador.
Nathália: Você lembra qual foi a primeira matéria ou texto que publicou oficialmente?
Douglas: Sim, no site Futebol em Rede, um texto falando da importância do Esporte Clube Noroeste para a cidade de Bauru.
Nathália: Qual a história mais engraçada ou “perrengue” do seu início de carreira?
Douglas: Em uma transmissão do futebol amador, nossa cabine era na divisa entre duas torcidas em uma semifinal. Um jogo “pegado”, com muitas reclamações ao árbitro, que no final não anotou um pênalti decisivo. O clima ficou tenso entre torcedores, mas no final deu tudo certo na saída, depois de uma hora e meia esperando!
Nathália: Você teve algum “padrinho” ou mentor que te ajudou muito no começo?
Douglas: Vários. Não posso esquecer de Curumim Manzatto, Fábio Seródio, Quartarollo, Jota Moreno, mas em especial ao Adriano Leite.
Nathália: Qual foi a cobertura que te fez pensar: “É isso que eu quero fazer para o resto da vida”?
Douglas: Sem dúvidas, foi a final do Paulista A2 (Velo Clube x Noroeste) em 2024, em Rio Claro. Foi a primeira credencial com a minha foto pela Rádio que acreditou no meu trabalho.
Nathália: Como você lida com a instabilidade e os desafios do mercado de jornalismo esportivo hoje?
Douglas: Encaro com resiliência e adaptação constante. O setor vive transformações rápidas. Para lidar com isso, busco diversificar minhas habilidades: além da cobertura tradicional, invisto em formatos multimídia, como podcasts, vídeos curtos e conteúdos interativos.

Nathália: O que você diria para o Douglas Dias que estava começando lá atrás? Douglas: Eu diria que a jornada seria cheia de desafios, mas também de conquistas que valeriam cada esforço. Diria para ele confiar mais em si mesmo e acreditar que a paixão pelo futebol e pelo jornalismo seria a força que o manteria firme.
Nathália: Como você conheceu o Gil Arruda e o projeto da rádio? Douglas: Estava escrevendo para o site do Resenha e procurando algo na internet para complementar minhas informações. Foi aí que, no YouTube, encontrei o Gil Arruda. Comecei a participar sempre dos programas via chat aos domingos, até que houve o convite para integrar a equipe.
Nathália: O que motivou você a aceitar o convite para integrar a nossa equipe?
Douglas: Sem dúvidas a experiência absurda do Gil Arruda, que me deixa tranquilo e mostra o horizonte do esporte, não apenas falando de futebol, mas de outras modalidades. Além de uma equipe fantástica, foi o “shazam” que eu esperava.
Nathália: Como é a sua rotina de preparação (apuração) antes de escrever uma matéria ou entrar no ar?
Douglas: Envolve três pilares principais: levantamento de informações confiáveis e checagem de dados; estruturação das ideias e da linha narrativa; e a revisão de estatísticas e ensaio mental para transmitir clareza e segurança.
Nathália: Qual a principal diferença entre trabalhar numa mídia independente versus a mídia tradicional?
Douglas: A liberdade e a estrutura. Na web rádio, há maior autonomia editorial, você escolhe pautas e formatos sem tantas amarras, gerando um contato mais direto com o público. Na mídia tradicional, há uma estrutura mais robusta, mas também padrões editoriais mais rígidos e burocráticos.
Nathália: Como é a dinâmica de trabalho com os outros membros?
Douglas: Com certeza existe o nosso debate, sempre respeitando cada ideia, e isso ajuda muito na criação das pautas.
Nathália: Qual a maior saia justa que você já passou ao vivo?
Douglas: Os chats de “quinta série”. Tem que estar atento com tudo que acontece. Já mandei um beijo para a “Tia” durante o plantão esportivo… (risos).
Nathália: Você sente que a Rádio Gil Arruda Sports tem uma linguagem única? Douglas: Sim, marcada pela proximidade com o público, pela paixão pelo esporte e por uma comunicação direta e acessível. Mistura informação, emoção e autenticidade.
Nathália: De onde vem essa conexão forte com a cobertura do basquete, especialmente o Bauru Basket? Douglas: Amo Rádio e sempre acompanhei as narrações do Rafael Antônio, até que um dia ele me falou: “O sol nasce para todos”, me mostrando o caminho do Basquete. Quem sabe no futuro faço uma matéria com o meu filho, que já faz parte de um projeto de basquete na minha cidade.
Nathália: O que falta para o NBB ter a mesma popularidade que o futebol no Brasil? Douglas: Investimento consistente em visibilidade e narrativa. O basquete sofre com a falta de transmissão ampla em TV aberta. Falta criar ídolos reconhecíveis nacionalmente e aproximar o público com campanhas que despertem emoção e pertencimento.
Nathália: Qual foi o jogo do Bauru Basket que mais te marcou como cronista? Douglas: Sem dúvidas, o basquete de Bauru sob o nome Tilibra-Copimax, em 2002, contra o Araraquara. Escreveu uma das páginas mais brilhantes da história. Não foi apenas a conquista de um título nacional, mas a afirmação de uma cidade que respirava esporte.
Nathália: Como é a atmosfera do Ginásio Panela de Pressão em dias de decisão? Douglas: Apaixonante e de pura intensidade. Arquibancadas vibrando, torcida pulsando como um coração coletivo. É calor humano, paixão e energia que transformam o ginásio em uma verdadeira Panela de Pressão.
Nathália: Você prefere narrar/escrever sobre um jogo tático e defensivo ou um jogo de placar centenário?
Douglas: Não vejo diferença de importância. Seja em um jogo tático ou em um placar centenário, o papel do comunicador é o mesmo: traduzir a partida em experiência, seja pela emoção imediata da voz ou pela profundidade das palavras.
Nathália: Quem é o maior ídolo do basquete brasileiro na sua opinião?
Douglas: O camisa 14, conhecido como Mão Santa. Sem dúvidas, Oscar Schmidt.
Nathália: A cobertura de basquete exige um olhar técnico diferente. Qual a maior dificuldade?
Douglas: Acompanhar a velocidade e complexidade tática, já que cada posse pode mudar o jogo rapidamente, além de interpretar nuances que vão além das estatísticas.
Nathália: Você acredita que a NBA ofusca o produto nacional ou ajuda a trazer novos fãs para o NBB?
Douglas: Funciona como porta de entrada: desperta interesse pelo basquete. Mas o problema é que o NBB ainda não consegue transformar esse interesse em fidelização por falta de investimento em visibilidade e narrativa própria.
Nathália: Se você pudesse mudar uma regra no basquete hoje, qual mudaria?
Douglas: Rever o limite de faltas por período, para evitar que o jogo se torne uma sequência de lances livres e perca dinamismo.
Nathália: Qual a sua projeção para a Seleção Brasileira de Basquete no próximo ciclo?
Douglas: É preciso valorizar jovens talentos e estruturar melhor sua preparação. Podemos destacar nomes como Tico Faria, Yuri Neptune, Andrezão, Vitinho Brandão, Gabriel Landeira, Alex Negrete, Zú Jr., Wini Silva e Pedro Pastre, além de nomes que estão chamando a atenção no NBB 25/26.
Nathália: Você escreveu sobre a Cadillac na F1. O que mais te atrai no universo do automobilismo?
Douglas: É a combinação de emoção, estratégia e velocidade.
Nathália: A F1 vive um “boom” de popularidade. Você acha que é mérito da série da Netflix ou das disputas na pista?
Douglas: A série transformou pilotos em personagens. O desafio da F1 agora é manter o espetáculo sem perder a essência técnica, como vimos nesta temporada de 2025, com muita emoção até a última prova.
Nathália: Senna, Piquet ou Fittipaldi: qual o maior brasileiro da história da F1?
Douglas: Cada um tem sua importância em épocas diferentes. Acompanhei Senna x Prost e Piquet x Mansell. Sou fã do Senna, mas Fittipaldi tem uma importância gigante: foi o primeiro campeão, abrindo as portas ao público brasileiro e sendo pioneiro ao levar sua própria equipe para a F1.
Nathália: Como é cobrir um esporte onde a máquina muitas vezes define mais que o piloto?
Douglas: Atenção ao máximo aos detalhes. Não tenho essa visão sobre “máquina x piloto”; para mim, o piloto continua sendo a alma da disputa, quando o talento e a coragem superam o limite da tecnologia.
Nathália: Qual circuito clássico jamais deveria sair do calendário da F1?
Douglas: Gosto de Hockenheim (Alemanha). O lado financeiro e político atrapalhou este circuito, é uma pena.
Nathália: Se pudesse narrar uma volta final histórica da F1, qual escolheria?
Douglas: Nesse momento, vem o GP da Europa de 1993 em Donington Park, vencido por Ayrton Senna, que teve a melhor primeira volta de todos os tempos da F1.
Nathália: Qual a corrida mais chata e a mais eletrizante que você já assistiu?
Douglas: A mais chata: GP de Mônaco. Apesar do charme, para mim é um desfile de carros. A mais eletrizante: Abu Dhabi 2021, com o título decidido na última volta.
Nathália: Futebol raiz (pegado) ou Futebol moderno (posicional)?
Douglas: Raiz.
Nathália: O que você acha do VAR?
Douglas: No Brasil o VAR é reinventado. Apesar de gostar do futebol raiz, o VAR tira a emoção e deixa raiva no torcedor.
Nathália: Qual o estádio de futebol que você sonha em conhecer?
Douglas: Sem dúvidas o Pacaembu raiz, antes da reforma.
Nathália: Na sua visão, qual é o campeonato mais difícil do mundo hoje?
Douglas: Campeonato Brasileiro, pela extensão territorial e pela cultura das trocas de treinadores.
Nathália: Se pudesse entrevistar qualquer jogador da história, quem seria?
Douglas: Já tive a oportunidade de entrevistar o Tupãzinho e o Zenon. Mas, de todos os tempos, sem dúvidas seria Garrincha.
Nathália: Qual a sua opinião sobre as SAFs no Brasil?
Douglas: Risco de mercantilizar o futebol e afastar sua essência popular.
Nathália: Qual a maior injustiça da história do futebol?
Douglas: A Seleção Brasileira de 1982.
Nathália: Qual técnico de futebol você gostaria de ter uma conversa tática de uma hora?
Douglas: O saudoso Telê Santana.
- Estilo musical: Pop Rock internacional e Eurodance.
- Filme/Série favorita: The Last Dance (Arremesso Final).
- Livro: Bíblia.
- Jantar com 3 personalidades históricas: João Paulo II, Charles Darwin e Michelangelo.
- Lugar no mundo para ver esporte: Madison Square Garden (EUA).
- Comida favorita: Arroz, feijão e carne moída.
- Dia ou Madrugada? Dia, rendo mais.
- Gênero do filme da sua vida: Musical.
- Lema de vida: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” – Nelson Mandela.

Nathália: Quais são suas maiores referências no jornalismo hoje?
Douglas: Armando Nogueira, Mauro Beting, Paulo Vinícius Coelho, Quartarollo, Rodrigo Bueno e o “Patrão” Gil Arruda.
Nathália: O rádio esportivo “morreu” ou se transformou?
Douglas: Diferente da TV, o Rádio se transformou.
Nathália: Qual conselho daria para um estudante de jornalismo hoje?
Douglas: O jornalismo é feito de paixão e responsabilidade. Quem entra nessa jornada precisa ter brilho nos olhos e firmeza na voz.
Nathália: O que falta para a mídia dar espaço a outras modalidades além do futebol? Douglas: Audiência e dinheiro.
Nathália: Você tem o sonho de cobrir uma Copa do Mundo ou Olimpíada in loco? Douglas: Olimpíadas.
Nathália: Onde você se vê profissionalmente daqui a 5 anos?
Douglas: Fazendo o meu melhor e o que amo, seja em uma Rádio ou TV.
Nathália: Imagine que você vai dar um churrasco hoje. Você pode convidar 5 jogadores. Quem são os convocados?
Douglas: Rivellino, Sócrates, Alex “cabeça”, Ronaldinho e Vampeta.
Nathália: Uma mensagem para os ouvintes da Gil Arruda Sports:
Douglas: Na Gil Arruda Sports, cada gol, cada ponto e cada emoção só ganham sentido porque vocês estão aí, vibrando junto. O nosso agradecimento é infinito, e a nossa missão é continuar levando o esporte até vocês com paixão e verdade. Obrigado por serem parte dessa história.
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