
De 19º no grid à vitória em casa: Antonelli transforma um domingo de caos em uma das histórias mais emocionantes da Fórmula 1
Monza não é apenas um circuito. Para os italianos, é quase um território sagrado. É onde o vermelho da Ferrari se mistura às bandeiras, aos gritos e à paixão dos tifosi. Mas neste domingo, 6 de setembro de 2026, aconteceu algo diferente.
O mar vermelho se abriu.
E, desta vez, foi para receber Andrea Kimi Antonelli.
O jovem italiano da Mercedes venceu o Grande Prêmio da Itália depois de largar apenas na 19ª posição, em uma das mais impressionantes corridas de recuperação de sua carreira. A vitória também encerra uma espera de 60 anos por um triunfo de um piloto italiano no GP da Itália, desde Ludovico Scarfiotti, em 1966.
E talvez a maior beleza dessa história esteja justamente no fato de Antonelli não estar vestido de vermelho.
Ele estava de prata.
Mas Monza, naquele momento, era italiana.
DE 19º PARA 1º
Antonelli chegou ao domingo carregando uma enorme desvantagem.
Depois de uma classificação na qual havia terminado em posição muito mais competitiva, punições relacionadas à troca de componentes da unidade de potência fizeram o italiano despencar para o fim do grid. Enquanto Pierre Gasly largava da pole position pela Alpine, Antonelli precisava transformar uma corrida aparentemente comprometida em uma oportunidade.
E ele fez exatamente isso.
A corrida começou de maneira caótica. Um acidente envolvendo Charles Leclerc, da Ferrari, provocou a bandeira vermelha e interrompeu a prova logo nas primeiras voltas.
A partir daí, Monza passou a assistir a uma corrida completamente diferente.
Antonelli avançou.
Ultrapassou.
Esperou.
Atacou.
E, enquanto os acontecimentos embaralhavam o pelotão, o italiano crescia na pista.
Até que chegou o momento que fez o circuito inteiro explodir.
A três voltas do fim, Antonelli ultrapassou seu companheiro de Mercedes, George Russell, e assumiu a liderança.
A partir daquele instante, não havia mais estratégia, punição ou posição no grid que importasse.
Restavam apenas três voltas entre Kimi Antonelli e a história.
MONZA ERA VERMELHA, MAS O HERÓI ERA ITALIANO
É impossível ignorar a força da torcida italiana pela Ferrari.
Durante décadas, Monza foi palco de celebrações inesquecíveis da Scuderia. O tifosi aprendeu a amar seus pilotos e a transformar cada vitória em uma festa nacional.
Mas neste domingo, o torcedor ferrarista encontrou um motivo diferente para comemorar.
Kimi Antonelli.
O garoto italiano que cresceu sonhando com a Fórmula 1 estava agora diante daquela multidão, carregando uma bandeira que não era apenas a da Mercedes.
Era a da Itália.
E foi aí que aconteceu algo especial: o fanático pela Ferrari se rendeu ao talento de um piloto que representa o futuro do automobilismo italiano.
Não importava a cor do carro.
Não naquele momento.
Porque quando Antonelli cruzou a linha de chegada, Monza não perguntou qual era a equipe.
Monza perguntou apenas:
“Ele é italiano?”
A resposta estava diante de todos.
GASLY, O DONO DA POLE, TERMINA EM SÉTIMO
A história de Monza começou com outra surpresa.
Pierre Gasly conquistou sua primeira pole position na Fórmula 1 justamente no templo italiano da velocidade. O francês superou George Russell por uma margem mínima e colocou a Alpine na posição de honra.
Mas a corrida não confirmou o domínio esperado.
Gasly terminou em sétimo, enquanto Russell ficou com a segunda colocação e Max Verstappen completou o pódio em terceiro.
E o protagonista que havia largado praticamente no fim do grid terminou no lugar onde todos queriam estar.
No topo.
BORTOLETO: 11º EM UMA CORRIDA DE SOBREVIVÊNCIA
O Brasil também esteve representado na festa de Monza.
Gabriel Bortoleto, da Audi, chegou a disputar uma posição entre os dez primeiros e terminou o GP em 11º lugar.
O brasileiro havia largado em uma posição competitiva, mas encontrou dificuldades durante a prova e acabou ficando fora da zona de pontuação. Ainda assim, Bortoleto mostrou novamente capacidade de brigar no pelotão intermediário em um circuito extremamente exigente.
UMA VITÓRIA QUE VAI ALÉM DOS 25 PONTOS
Há vitórias que significam apenas uma boa posição no campeonato.
A de Kimi Antonelli não.
Ela representa uma mudança de geração.
O italiano, aos 20 anos, não apenas venceu em casa. Ele colocou seu nome ao lado de uma das maiores tradições do automobilismo italiano e encerrou uma espera de seis décadas.
Scarfiotti venceu em 1966. Antonelli venceu em 2026.
Sessenta anos depois, Monza voltou a ouvir o hino italiano para celebrar um piloto da casa.
E talvez seja esse o momento em que a Itália começa a perceber que encontrou uma nova joia.
O vermelho continuará sendo da Ferrari.
Os tifosi continuarão defendendo a Scuderia.
Mas, neste domingo, em Monza, todos tiveram espaço para comemorar.
Porque Kimi Antonelli não venceu apenas uma corrida.
Ele conquistou um lugar no coração de uma torcida que, por um domingo, esqueceu a cor do carro e abraçou a cor da bandeira.
O mar vermelho se abriu.
E no meio dele surgiu um jovem piloto italiano.
Kimi Antonelli. O novo herói de Monza.
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