
Foto: Reprodução
Não foi apenas uma eliminação. Foi um tapa na cara de milhões de brasileiros que, mais uma vez, pararam para acreditar no sonho do hexa. O Brasil caiu diante da Noruega por 2 a 1, mas o resultado é apenas a consequência de uma atuação que deixou um gosto amargo de frustração. Faltou futebol, faltou personalidade, faltou entrega. Faltou o sangue brasileiro que, por décadas, fez da Seleção um símbolo de coragem, talento e superação.
É preciso reconhecer o mérito da Noruega. A seleção europeia entrou em campo com um plano, organização e, principalmente, fome de vencer. Correu mais, dividiu cada bola como se fosse a última e aproveitou as oportunidades que criou. O Brasil fez justamente o contrário. Desperdiçou um pênalti, perdeu chances claras e voltou a cometer erros que uma equipe com pretensão de ser campeã do mundo simplesmente não pode cometer. Do outro lado, Erling Haaland fez o que se espera de um grande craque: decidiu o jogo, marcou os dois gols da classificação e mostrou a diferença entre quem estava preparado para um mata-mata e quem parecia esperar que a camisa resolvesse tudo.
A campanha brasileira já dava sinais de alerta. A classificação sobre o Japão veio com sofrimento, o desempenho esteve longe de convencer e, mesmo assim, pouco mudou. Nas oitavas de final, a conta chegou. Em uma Copa do Mundo, tradição não entra em campo, cinco estrelas não vencem partidas e favoritismo não faz gols. Quem avança é quem compete, quem luta e quem honra cada minuto em campo.
O torcedor brasileiro aceita perder. O que ele não aceita é ver uma Seleção sem brilho nos olhos, sem indignação diante da derrota e sem a vontade de deixar tudo em campo. A camisa amarela pesa porque foi construída por gerações de jogadores que fizeram dela um símbolo de raça e excelência. Desta vez, ela pareceu apenas um uniforme.
O sonho do hexa terá que esperar mais quatro anos. Mas, antes de pensar na próxima Copa, o Brasil precisa reencontrar sua identidade. Precisa lembrar que talento sem entrega não basta, que qualidade sem compromisso não conquista títulos e que representar uma nação apaixonada pelo futebol exige muito mais do que vestir a camisa da Seleção. Exige honra, coragem e respeito por um povo que nunca deixa de acreditar.
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