A Sobrevivência que Veio Após o Fim

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Foto: Ivan Romano

A Sampdoria, com nomes consagrados em sua história como Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Pietro Vierchowod, Angelo Palombo, Antonio Cassano, Moreno Mannini, Toninho Cerezo, Gianluca Pagliuca, Francesco Flachi e Ruud Gullit, e títulos como campeã italiana (1990/1991), tetracampeã da Copa da Itália (1984/1985, 1987/1988, 1988/1989 e 1993/1994) e campeã da Supercopa da Itália (1991), além de ter chegado a uma final de Liga dos Campeões em 1992 (vencida pelo Barcelona por 1×0), teve um final de temporada muito inusitado para os amantes de futebol e para seus torcedores. Isso porque a Sampdoria tentava evitar ser rebaixada pela primeira vez em sua história para a terceira divisão do Campeonato Italiano (2024/2025).

A Sampdoria teve Andrea Pirlo como técnico no início da temporada, com a missão de resgatar o clube e voltar para a Série A, mas o que se viu foi a demissão do mesmo, seguido por Andrea Sottil e Leonardo Semplici. Em abril, Alberto Evani foi contratado para tentar evitar a queda iminente, mas chegou à reta final com o terceiro pior desempenho da Série B, depois de empatar com o Juve Stabia em 0 a 0, terminando na 18ª posição. Contudo, com a declaração de falência do Brescia, a Sampdoria foi para o play-off contra o rebaixamento, com a esperança de evitar a maior tragédia de sua história.

O primeiro duelo começou no penúltimo domingo (15) em Gênova com vitória de 2×0 para a Sampdoria. O jogo de volta, que estava marcado para a última sexta-feira (20), teve um pedido da Salernitana para adiar o confronto, aceito pela Liga Série B, após 21 jogadores e membros da comissão técnica da Salernitana sofrerem um surto de intoxicação alimentar. Isso teria acontecido ainda no voo de retorno para Salerno do jogo de ida contra a Sampdoria. A partida foi remarcada para o último domingo (22), com isso a Salernitana precisava reverter a desvantagem para evitar um segundo rebaixamento consecutivo. A equipe já havia caído da Série A ao final da temporada 2023-24.

Do outro lado, a tradicional Sampdoria tentava evitar uma queda inédita para a Série C, o que seria o ponto mais baixo em seus 78 anos de história. O clube havia escapado do descenso direto na temporada regular graças à punição aplicada ao Brescia por irregularidades financeiras.

O Fim Inusitado do Jogo

E o jogo terminou de forma inusitada: a equipe vencia a Salernitana por 2 a 0, o mesmo placar do jogo de ida, mas aos 20 minutos do segundo tempo, uma confusão generalizada tomou conta das arquibancadas. O jogo teve que ser paralisado e não voltou mais. Sinalizadores foram jogados no gramado do Estádio Arechi, em Salerno. A confusão não parou, e o jogo também não voltou. A Sampdoria foi declarada vencedora da partida e manteve-se na Série B.

A Crise e a Queda

Uma temporada que teve uma eliminação na Copa da Itália, o único outro torneio que disputou além da Série B. O time caiu nas oitavas de final, perdendo de 4×1 para a Roma. Uma crise que já se via no time ainda quando lutava na primeira divisão. Ao longo de 10 anos, a equipe brigava contra a queda para se manter na elite, porém as dificuldades dentro de campo com resultados ruins e, principalmente, as dificuldades financeiras foram primordiais para a queda de um dos clubes mais tradicionais da Itália, terminando a Série A na lanterna em 2023, com apenas 19 pontos em 38 rodadas.

O Apoio Inabalável da Torcida

A Sampdoria, fundada em 1946, enfrentou o momento mais difícil de sua história, ainda mais com a missão, na próxima temporada, de se organizar financeiramente e tentar não passar pelos mesmos apuros desta temporada e, quem sabe, voltar para a Série A. O clube, que já disputou competições europeias e tem uma base de torcedores apaixonados, enfrenta um desafio significativo para reconstruir sua equipe e retornar às divisões superiores do futebol italiano.

Os torcedores do clube demonstraram um apoio inabalável, reafirmando seu compromisso com a equipe mesmo diante da adversidade. A torcida se manteve firme, expressando nas redes sociais mensagens de solidariedade e amor ao clube. Comentários como “Ti amo Doria” (Amo você, Doria) e “Ti seguirò anche all’inferno” (Te seguirei até o inferno) refletem a lealdade incondicional dos fãs, que se consideram uma verdadeira família unida pelo amor ao time.

Esse apoio contínuo é um reflexo da rica história da Sampdoria, que, apesar dos desafios recentes, continua a ser um símbolo de paixão e resiliência para seus torcedores. A torcida blucerchiata demonstrou que, independentemente da divisão em que o time se encontre, o amor pelo clube permanece inalterado.

Os amantes do futebol e os torcedores da Sampdoria esperam ansiosamente o retorno à Série A de um dos times que, ao longo de seus 78 anos, teve grandes jogadores que escreveram belos capítulos na história. Mesmo com um futuro incerto, uma coisa é fato: sua torcida doente e apaixonada, independente da divisão, irá impulsionar e motivar o clube a voltar o mais rápido possível de onde nunca deveria ter saído.

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Foto: Giuseppe Maffia


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