
A tão esperada estreia de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira foi marcada por um empate sem gols contra o Equador, deixando a torcida com mais perguntas do que respostas. Afinal, o que realmente mudou com a chegada do técnico italiano?
O Peso do Nome vs. a Prática
Em campo, Ancelotti é um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol, mas o Brasil ainda parece distante de absorver sua filosofia. O que se viu em campo foi um time sem criatividade, com dificuldades na transição ofensiva e pouca variação tática. Há quem defenda que a adaptação leva tempo, enquanto outros já questionam se o elenco consegue assimilar a proposta do técnico.
Defesa organizada e ataque apagado. Se há algo positivo a destacar, é a solidez defensiva. Depois de uma série de jogos concedendo gols fáceis, a seleção finalmente mostrou consistência na marcação. No entanto, a falta de ofensividade preocupa, nomes como Vinicius Jr, Richarlison e Estevão, esperava-se um Brasil mais agressivo, mas o ataque travado levantou dúvidas sobre a construção das jogadas.
Ancelotti vs. Antecessores: Real mudança ou continuidade?
Fernando Diniz e Dorival Júnior passaram pelo comando da Seleção sem grande brilho. Ancelotti chegou com a promessa de transformar o estilo de jogo, mas, na prática, a equipe demonstrou as mesmas dificuldades que já vinham acontecendo. Será que o problema está no comando técnico ou em uma geração que ainda não encontrou sua identidade?
Nosso jornalista Bruno Marcondes da Rádio Gil Arruda Sports, analisou a estreia de Ancelotti
Após dois treinos, um dos pontos fortes da equipe foi a decisão de Carlo Ancelotti de alterar três peças do sistema defensivo. O resultado foi uma linha defensiva mais sólida do que as anteriores. Do meu ponto de vista, o meio-campo esteve mais focado em auxiliar na contenção defensiva e explorar os contra-ataques, em vez de atuar de forma produtiva na construção das jogadas. O jogo serviu para dar confiança ao setor defensivo.
A estreia de Alexsandro (Lille) foi muito positiva. Vanderlan teve uma boa atuação, vencendo algumas disputas, embora as laterais ainda apresentem carências. No geral, desempenharam bem suas funções. A volta de Casemiro foi crucial, proporcionando a segurança que a equipe precisava. Já Estevão teve uma estreia promissora, mas encontrou dificuldades pela falta de uma válvula de escape. Ele tentou jogadas individuais e, como foi seu primeiro jogo, certamente amadurecerá mais. O esquema tático da partida não favoreceu seu estilo, nem o de Vini Jr. e muito menos o de Richarlison. No entanto, são jogadores experientes e sabem o peso de vestir a camisa da Seleção, devendo demonstrar mais protagonismo.
Pontos negativos: a falta de um meio-campo criativo
Hoje, vimos um trio de meias atuando próximos à zaga, deixando um grande vazio entre o meio-campo ofensivo e a grande área. Essa lacuna prejudicou os pontas Vini Jr. e Estevão, que muitas vezes precisavam buscar a bola ainda atrás da linha do meio-campo e resolver os lances sozinhos. Sem um setor criativo para dar apoio, as jogadas individuais não surtiram efeito, pois o Equador manteve marcação dupla e até tripla, neutralizando investidas e dificultando os avanços.
Nas primeiras mudanças, Ancelotti promoveu a entrada de Matheus Cunha no lugar de Richarlison e Gabriel Martinelli na vaga de Estevão, mas a falta de um meio-campo criador limitou o impacto dessas substituições. A equipe tem uma carência evidente de meias que saibam segurar a bola, apoiar os pontas e ter liberdade para circular pelos dois lados do campo.
Ancelotti manteve a segurança defensiva como prioridade na partida e parece focado em ajustar a zaga nestes seis jogos que antecedem a Copa.
Nota dos jogadores titulares
A média final das notas, dos nossos jornalistas pós jogo por Bruno Marcondes, Jhonatan e Douglas Dias.
| Jogador | Média das notas |
|---|---|
| Alisson | 6,5 |
| Vanderson | 5,83 |
| Marquinhos | 6,33 |
| Alexsandro | 7,67 |
| Alex Sandro | 5,33 |
| Casemiro | 7,17 |
| Bruno G | 5,33 |
| Gerson | 5,17 |
| Estevão | 5 |
| Richarlison | 2 |
| Vini JR | 3,83 |
| Ancelotti | 5,5 |
Ficha do Jogo: Equador 0x0 Brasil
Estádio: Monumental Isidro Romero Carbo Guayaquil (Equador)
Cartões Amarelos- Moisés Caicedo (Equador) – 23’ – Casemiro (Brasil) – 37’ – Estupiñán (Equador) – 55’ – Richarlison (Brasil) – 72’
Equador: Galíndez; Ordóñez, Pacho, Hincapié e Estupiñán; Vite, Alan Franco, Moisés Caicedo e Yeaboah (Kevin Rodríguez); Minda (Preciado) e Angulo (Medina). Técnico: Sebastián Beccacece.
Brasil: Alisson; Vanderson, Marquinhos, Alexsandro e Alex Sandro; Bruno Guimarães (Andreas Pereira), Casemiro e Gerson (Andrey Santos); Estêvão (Gabriel Martinelli), Richarlison (Matheus Cunha) e Vinícius Jr. Técnico: Carlo Ancelotti.
O Que Esperar do Próximo Jogo?
O Brasil enfrenta o Paraguai na próxima terça-feira (10), na Arena Corinthians. A expectativa é que Ancelotti faça ajustes e traga algo mais concreto em termos de evolução tática. Se a Seleção repetir a falta de criatividade vista contra o Equador, as críticas só vão aumentar.
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