
Nesta sexta-feira (4), o Sport Club Internacional-RS, completa 116 anos. A história começou com os irmãos Poppe, que queriam um time democrático e acolhedor. José, Henrique e Luiz Poppe, buscavam criar um clube aberto a todas as classes sociais e etnias, em divergência aos times existentes da época. O Colorado rapidamente ganhou destaque entre as camadas mais populares da sociedade gaúcha, consolidando o popular “clube do povo”. O Inter, desde o início, procurou romper com o elitismo que caracterizava muitos clubes de futebol da época. A escolha das cores para o clube (vermelho e branco) representava a paixão e a pureza.
Os primeiros anos do Internacional foram de muitas lutas para fortalecer o clube e conseguir espaço dentro do cenário futebolístico da capital gaúcha. Os jogos do Colorado foram realizados em um terreno na Alameda da Azenha. Ao longo da década de 1910, o Inter se estabeleceu como um dos principais clubes de Porto Alegre, competindo com outras equipes locais e construindo uma rivalidade histórica. Em 1913, o Colorado conquistou o Campeonato Metropolitano de Porto Alegre, o primeiro da história do time.
Em 1931, o clube inaugurou o Estádio dos Eucaliptos, no bairro Menino Deus. O novo palco seria cenário de grandes conquistas e da ascensão colorada ao posto de maior clube do sul do Brasil. A estreia não poderia ter sido mais simbólica: vitória de 3 a 0 sobre o maior rival. O Inter começava a moldar o lendário “Rolo Compressor”. Em 1938, apenas um ano após a profissionalização do futebol no Estado, o clube aplicou um sonoro 11 a 0 no Grêmio. O placar, no entanto, foi reduzido para 6 a 0 pelo árbitro Álvaro Silveira. A justificativa do árbitro, segundo relatos da época, era que “11 a 0 era demais para um Gre-Nal”. A decisão do árbitro gerou muita polêmica e controvérsia, alimentando ainda mais a rivalidade entre os clubes.
O clube inaugurou o Estádio Beira-Rio em 1969, que se tornou símbolo do clube. Em 1975, o Inter conquistou o Campeonato Brasileiro de forma invicta, um feito inédito na história da competição. Na final do campeonato, contra o Cruzeiro, o zagueiro chileno Figueroa marcou um gol de cabeça que ficou conhecido como “Gol Iluminado”. O colorado conquistou a competição nos anos 1975, 1976 e 1979.
De 1980 a 2000, o período é marcado por uma transição, com alguns altos e baixos, mas também por conquistas importantes. De 1980 a 1984, o Inter conquistou o Campeonato Gaúcho. Em 1989, o clube conquistou a Copa do Brasil, o primeiro título nacional após o tricampeonato Brasileiro nos anos 70. Na década de 90, o período foi difícil para o Inter, o clube enfrentou dificuldades financeiras e esportivas. Em 1992, conquistou a Copa do Brasil, um marco importante para o clube, demonstrando sua capacidade de superação. 1997, mais uma vez, foi campeão gaúcho.
Já no em 2006, o Inter conquistou a Copa Libertadores da América, um dos mais importantes títulos da história do clube. No mesmo ano, o clube conquista o Mundial de Clubes da Fifa, vencendo o Barcelona na final. Em 2008, o clube ganha a Copa Sul-Americana. O clube novamente conquista a Copa Libertadores em 2010. Em 2011, o Inter vence a competição da Recopa Sul-Americana. O Estádio Beira-Rio é reinaugurado em 2014, após a reforma para sediar os jogos da Copa do Mundo FIFA 2014. A reforma modernizou o estádio e o transformou em um dos mais modernos do Brasil.
O clube foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2016. Essa foi a primeira vez na história do clube que foi rebaixado. O feito foi confirmado na última rodada do campeonato, quando o Inter empatou com o Fluminense por 1 a 1. Inter precisava vencer a partida e torcer para que os outros resultados o favorecessem, mas isso não aconteceu. O rebaixamento do colorado foi um evento marcante no futebol brasileiro, já que o clube é um dos mais tradicionais do país. A queda para a Série B gerou grande comoção entre os torcedores e teve repercussões significativas para o clube.
Em 2017, o Inter disputou a Série B e garantiu o acesso à elite do futebol brasileiro, demonstrando sua capacidade de superação. O clube consolidou a Série A em 2018, alcançando boas colocações e demonstrando um futebol competitivo. Já em 2020, o Internacional alcançou um feito notável, com nove vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro, estabelecendo um novo recorde na era dos pontos corridos. O clube continuou a participar de competições importantes, tanto no cenário nacional quanto sul-americano. Em 2023, o Inter chegou às semifinais da Libertadores da América.
Neste ano (2025), o time conquistou o Campeonato Gaúcho de forma invicta. Este foi o 46° título estadual do clube. A campanha teve um desempenho notável, com 9 vitórias e 3 empates. Além disso, o clube teve o melhor ataque e a melhor defesa do torneio, marcando 24 gols e sofrendo apenas 6. Enner Valencia marcou para o Internacional no jogo de volta da final. O Inter ainda compete no Brasileirão 25, onde estreou com empate contra o Flamengo de 1 a 1, e na Copa Libertadores, está no grupo F, onde na última quinta (3) jogou contra o Bahia na Arena Fonte Nova e terminou em 1 a 1.
O Sport Club Internacional possui uma rica história, repleta de jogadores que marcaram nomes na memória dos torcedores, tais como: Falcão, meio-campista de técnica e visão de jogo, foi peça fundamental nos títulos da década de 70; Fernandão, nosso eterno F9, capitão nas conquistas de 2006. Símbolo de liderança e raça, eternizado na história do clube; D’Alessandro, ídolo contemporâneo, com grande identificação com a torcida, jogador que demonstrou muita raça e amor à camisa colorada; além de Manga, Tesourinha, Claudiomiro e Índio.
A paixão pelo Internacional transcende as quatro linhas do campo, pulsando forte no coração da “Nação Colorada”, uma das torcidas mais vibrantes e dedicadas do Brasil. O amor pelo clube é um legado que se perpetua através das gerações, um elo que une pais e filhos em um sentimento indescritível. Janaina Bock e Fabrício Susel, pais do pequeno Ravi, de apenas 4 anos, são um exemplo dessa devoção: “É um orgulho, uma emoção, paixão de geração. É muito bonito ver ele vibrar. Ravi tem emoção e paixão pelo time.” A cada jogo, a família cumpre um ritual sagrado: “é assistir em família, com o Ravi vibrando.” Destacou Fabrício. “Quando vamos aos jogos, vamos cantando ‘Bonde Colorado’. Chegamos quatro horas antes do jogo começar” Enfatizou Janaina. A família que mora em Paraíso do Sul, cidade que fica cerca de 250km da capital gaúcha.

E para eternizar momentos como o gol de Enner Valencia na final do Gauchão 2025, considerado por Lucas Elgui, narrador da Rádio Primavera, o gol mais bonito que já narrou, temos a paixão dos narradores. “A responsabilidade é grande e sempre tentei pôr emoção na narração e fazer com que o torcedor crie um elo com a narração como eu criei”, completa Lucas Elgui, sobre a responsabilidade de transmitir a história e a paixão do Inter para as novas gerações.
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