O ÁPICE DA EXISTÊNCIA COLORADA: A JORNADA DO GIGANTE AO TOPO DO MUNDO

No dia 17 de dezembro de 2006, o Estádio Internacional de Yokohama, no Japão, deixou de ser apenas um campo de futebol para se tornar o altar de uma nação. Mas para entender o rugido de Fernandão ao erguer a taça, precisamos retroceder e entender como o Internacional forjou o aço que cortaria a Europa.

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A Reconquista da América: O Batismo de Fogo

O caminho para o Japão foi pavimentado com o suor da Copa Libertadores de 2006. Após uma fase de grupos sólida, o Inter enfrentou gigantes. Nas quartas de final, eliminou a LDU, então um dos times mais temidos do continente. Na semifinal, o “Libertadores” encontrou seu dono quando o Inter despachou o Libertad do Paraguai.

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O Brasil parou para ver o Inter de Abel Braga vencer no Morumbi com dois gols de Rafael Sobis e segurar o empate em um Beira-Rio em chamas com gols de Fernandão e de Tinga. Naquela noite de agosto, Porto Alegre não dormiu. O “Campeão de Tudo” ganhava seu passaporte para o Oriente.

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A Semifinal no Japão: O Nervosismo de Tóquio

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Antes do Barcelona, havia o Al-Ahly, do Egito. No dia 13 de dezembro, em Tóquio, o mundo conheceu a tensão de uma semifinal de Mundial. O Inter abriu o placar com o jovem prodígio Alexandre Pato, de apenas 17 anos, que quebrou o recorde de Pelé como o mais jovem a marcar em competições da FIFA. Os egípcios empataram, e o fantasma da eliminação rondou o campo. Foi então que brilhou a estrela de Luiz Adriano, garantindo o 2 a 1 e o direito de sonhar com o topo.

17 DE DEZEMBRO: O CONFRONTO DE CIVILIZAÇÕES

O cenário em Yokohama era de um pessimismo técnico quase unânime pela imprensa mundial. Do lado europeu, o Barcelona de Frank Rijkaard, uma máquina regida por Ronaldinho Gaúcho (o melhor do mundo) e orquestrada por gênios como Deco e Iniesta. O Internacional entrou em campo com uma estratégia de xadrez. Abel Braga montou uma linha de marcação implacável. Cada dividida era disputada como se fosse a última gota de fôlego; cada interceptação de Ceará e Índio era um manifesto de resistência.

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Fernandão: O Capitão de Todos os Tempos

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Se o Inter fosse um corpo, Fernandão era o coração e a mente. Ele abdicou do brilho individual para atuar taticamente, anulando a saída de bola catalã. Antes de subir ao gramado, suas palavras no vestiário selaram o destino:

“A gente não chegou aqui por sorteio. Vamos lá dentro e vamos sair daqui campeões!”

Quando suas pernas travaram aos 31 minutos do segundo tempo, o estádio sentiu um calafrio. Mas Fernandão estava entregando o bastão ao destino. A entrada de Adriano Gabiru foi o golpe de mestre do universo.

36 Minutos para a Eternidade

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O relógio marcava 36 minutos da etapa final. Iarley, com a frieza dos imortais, protegeu a bola e desferiu o passe que rasgou o continente. Gabiru, em uma arrancada movida por milhões de vozes, dominou e tocou na saída de Valdés. A bola balançando a rede foi a ruptura de um paradigma: o Mundo agora era Vermelho.

OS HERÓIS DE YOKOHAMA

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  • Clemer: Operou milagres sob as traves, sendo a última barreira intransponível.
  • Ceará: O executor de um plano perfeito. Anulou Ronaldinho Gaúcho com uma marcação que entrou para a história.
  • Índio e Fabiano Eller: A síntese da raça. Índio, com o nariz fraturado e o rosto ensanguentado, tornou-se o símbolo da entrega.
  • Iarley: O arquiteto. Sua atuação tática e a assistência para o gol o colocaram no panteão dos eternos.
  • Adriano Gabiru: O herói improvável que provou que a glória pertence aos que acreditam.
  • Fernandão: Não foi apenas o capitão; ele foi o homem que pegou cada sonho colorado com as mãos e o transformou em eternidade, ensinando ao mundo que o Beira-Rio não é apenas um estádio, mas o lugar onde a alma de um herói escolheu morar para sempre.

FICHA TÉCNICA: A GRANDE FINAL

PARTIDA: Sport Club Internacional 1 x 0 FC Barcelona

DATA: 17 de dezembro de 2006 | LOCAL: Estádio de Yokohama (Japão)

🇧🇷 INTERNACIONAL

Goleiro: Clemer; Defesa: Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Meio-Campo: Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano Gabiru); Ataque: Iarley e Alexandre Pato (Luiz Adriano). Técnico: Abel Braga.

🇪🇸 FC BARCELONA

Goleiro: Valdés; Defesa: Zambrotta (Belletti), Puyol, Márquez e Van Bronckhorst; Meio-Campo: Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Ataque: Giuly (Ezquerro), Ronaldinho e Gudjohnsen. Técnico: Frank Rijkaard.

O Legado Colorado

Dezessete de dezembro não é apenas uma data. É o dia em que o Internacional provou que sua grandeza não cabe em fronteiras. O capitão Fernandão, ao erguer a taça sob as luzes do Japão, não apenas cumpriu um dever profissional; ele eternizou o sentimento de um povo. O Internacional era, e para sempre será, o Campeão do Mundo.


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