
Divulgação: GE
O placar do Beira-Rio mostra um contundente 3 a 1. O Inter fica na Série A. Mas, passado o êxtase dos gols de Mercado, Alan Patrick e Carbonero, é dever de quem tem o microfone e a caneta na mão dizer a verdade nua e crua: o Internacional sobreviveu apesar da sua direção, e não por causa dela.
Hoje, o “dono” do não rebaixamento tem nome e sobrenome: Abel Braga. Foi ele quem pegou um vestiário em frangalhos, um time “sem vida” que se arrastou no primeiro tempo, e injetou dignidade onde só havia medo. Abel serviu de escudo humano para uma administração covarde.
Mas que fique registrado em letras garrafais: a permanência na Série A não é um troféu. É um curativo em uma ferida exposta.
O milagre dessa tarde não apaga a “sucessão de erros e desculpas esfarrapadas” que ouvimos durante 38 rodadas. Não apaga o planejamento pífio, as contratações equivocadas e a soberba de quem achou que a camisa ganharia jogos sozinha. Chegamos à última rodada dependendo de resultados de outros times, o Inter foi uma bagunça institucional.
A imagem de Alan Patrick levando um cartão amarelo infantil aos 17 minutos foi o retrato do descontrole emocional gerado por essa gestão. O time entrou em campo pilhado, nervoso. Se no segundo tempo a bola entrou e o time virou uma máquina, o mérito é do técnico que soube olhar no olho do jogador e dos 21.710 torcedores que nunca abandonaram, mesmo tendo todos os motivos para isso.
O gol de Jhon Jhon para o Bragantino foi apenas uma nota de rodapé que não calou o grito de desabafo dessa multidão fiel. O que fica para a história é a imagem de Abel à beira do gramado e a explosão do Beira-Rio sob o sol.
Comemoramos hoje porque o gigante não caiu. Porque não tá morto quem peleia. Mas amanhã, a ressaca moral deve vir acompanhada de cobrança severa.
Abel Braga sai gigante, como o pai que salva o filho da beira do abismo. A direção sai minúscula, devendo explicações e pedidos de desculpas. O Inter fica na elite, mas se não varrer a sujeira e o amadorismo para fora do Beira-Rio, estaremos aqui de novo ano que vem, rezando por outro milagre.
Hoje é dia de alívio. Amanhã tem que ser dia de revolução
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