OPINATIVA

Divulhação Internacional
Há derrotas que doem pela injustiça do futebol, e há derrotas que doem pela vergonha da entrega. O 3 a 0 sofrido para o São Paulo na Vila Belmiro, na noite desta quarta-feira, pertence à segunda categoria. O que vimos em campo não foi um time lutando pela sobrevivência na Série A; foi um agrupamento de profissionais desinteressados, aceitando passivamente o destino trágico que eles mesmos construíram ao longo de 37 rodadas de incompetência.
Como jornalista, preciso ater-me aos fatos: taticamente, o Inter foi nulo. A defesa, desorganizada, assistiu Sabino subir sozinho e Maik chutar sem bloqueio. O ataque foi inoperante, incapaz de agredir um adversário que jogava em ritmo de treino.
Mas, como colorada, o que me tira o sono não é a análise tática ou o erro técnico de Rochet na saída do gol. O que irrita, o que faz o sangue ferver, é a apatia.
O Internacional entrou em campo precisando da vida. O São Paulo entrou em campo querendo uma vaga no G-8. Quem assistiu ao jogo sem saber a tabela diria que o desesperado era o time paulista. O Colorado aceitou a pressão, aceitou os gols e, pior, aceitou a humilhação do “olé” e do golaço de cobertura de Luciano sem dar um pontapé de indignação, sem uma dividida mais ríspida, sem mostrar que havia sangue correndo nas veias.
A reestreia de Abel Braga serviu apenas para provar que nem o maior ídolo da nossa história consegue operar milagres quando a matéria-prima é um elenco sem alma. Jogaram a responsabilidade no colo do “Abelão” faltando dois jogos, uma covardia institucional de uma gestão que errou do início ao fim do ano. Mas isso não isenta os jogadores. Quem veste a camisa vermelha e branca não tem o direito de caminhar em campo enquanto o clube flerta com o segundo rebaixamento de sua história.
Agora, restamos nós e a calculadora. Estamos no Z-4, dependendo de uma combinação improvável de resultados e de um “milagre” na última rodada contra o Bragantino. O torcedor, esse sim o único patrimônio que nunca falha, vai lotar o Beira-Rio no domingo. Vamos apoiar, vamos gritar, vamos fazer a nossa parte, como sempre fizemos.
Mas que fique claro: se o rebaixamento vier, ele não será fruto do azar na última rodada. Ele será o resultado justo de um ano onde o Internacional apequenou-se diante de adversários medíocres e, ontem, ajoelhou-se sem lutar.
No domingo, exigimos o mínimo: não peço técnica refinada, peço dignidade. Se for para cair, que caiam lutando. Porque a atuação de ontem na Vila Belmiro não foi digna da história do Sport Club Internacional. Foi um insulto.
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