Hoje o “Conhecendo a Equipe Gil Arruda Sports” traz a entrevista com Renato Basilla. Aos 53 anos, Renato é uma voz de destaque na narração esportiva, trazendo para o microfone a experiência da maturidade, a técnica do teatro e a paixão inabalável pelo esporte. Em um papo aberto e exclusivo, o narrador de São Paulo compartilha seus rituais de preparo, a filosofia de trabalho em equipe e suas reflexões sobre a evolução da profissão e o futuro da narração.
Nathália Bulsing: Para começar, qual sua idade e onde reside? E como essa paixão pela narração esportiva nasceu?
Renato Basilla: Tenho 53 anos e moro em São Paulo capital. Essa paixão nasceu desde muito pequeno, acompanhando jogos com meu pai e meu padrinho que narrava futebol e F1 pela Globo, o Geraldo José de Almeida.

Nathália Bulsing: Quais foram suas primeiras influências no rádio e na narração?
Renato Basilla: Geraldo José de Almeida, Fiori Gigliotti, Osmar Santos, José Silvério, Luciano do Vale, Everaldo Marques, Rômulo Mendonça e Rogério Vaughan.
Nathália Bulsing: Qual teu time do coração? E se não fosse narrador, que outra profissão no esporte seguiria?
Renato Basilla: Meu time é o Palmeiras. Na Europa, admiro Napoli e Sporting. Se não fosse narrador, gostaria de ser analista de desempenho/scouter.
Nathália Bulsing: Quem você considera o jogador que mais te emociona narrar?
Renato Basilla: Édson Arantes do Nascimento, o Rei PELÉ.
Nathália Bulsing: Como você se prepara vocalmente para uma sequência intensa de jogos, garantindo a saúde da sua voz?
Renato Basilla: Exercícios vocais de aquecimento que trago já do teatro e cinema, além de consultas periódicas à fonoaudióloga, beber muita água e evitar comer chocolate ou beber álcool próximo às transmissões.
Nathália Bulsing: Qual a sua técnica para cronometrar a emoção, reservando o auge para o clímax do lance, como um gol?
Renato Basilia: A técnica é você subir o tom de voz com emoção na medida que a jogada vai se desenhando e o time vai se aproximando do gol, descrevendo e pontuando as nuances do lance.
Nathália Bulsing: Qual a principal diferença técnica entre a sua narração de 5 anos atrás e a de hoje? O que evoluiu?
Renato Basilla: Tudo. Literalmente. Com a experiência sabemos controlar a emoção, preservar a voz nos momentos certos, ter mais confiança e tranquilidade para fazer seu trabalho e estar sempre atento ao novo e com o coração aberto ao aprendizado.
Nathália Bulsing: Qual o seu ritual de alimentação antes de um jogo, e qual seu snack ou bebida favorita durante o trabalho?
Renato Basilla: Como pelo menos duas horas e meia antes da transmissão começar pra não ter problemas de refluxo e/ou gases. Belisco uns amendoins no intervalo. Durante a narração, são café, Coca Zero e amendoim.
Nathália Bulsing: Qual a sua visão sobre a importância do narrador no show do esporte, além de apenas descrever a jogada?
Renato Basilla: É o comandante da transmissão. No rádio, principalmente, somos os “olhos” do ouvinte e responsáveis pela descrição mais próxima do exato de cada lance.
Nathália Bulsing: Como você equilibra a emoção necessária na voz com a imparcialidade exigida do narrador profissional?
Renato Basilla: Simplesmente me colocando no lugar de quem está ouvindo. Tenho que respeitar o ouvinte trazendo equilíbrio e honestidade na narração.
Nathália Bulsing: Você já pensou em desistir da carreira de narrador?
Renato Basilla: Toda semana. Mas no momento seguinte, respiro, e sigo em frente.
Nathália Bulsing: Qual a coisa mais inusitada que um fã já lhe disse?
Renato Basilla: Uma pessoa que disse que chegava ao orgasmo ao ouvir minha voz, rs…
Nathália Bulsing: Qual a maior qualidade profissional que você enxerga no Gil Arruda, seu parceiro? E o que você aprendeu sobre trabalho em equipe que leva para a vida?
Renato Basilla: A maior qualidade que enxergo no Gil é a generosidade. Sobre trabalho em equipe, aprendi a valorizar a simplicidade, cumplicidade, estar aberto às críticas e ao novo. Conviver é uma arte que pode e deve ser melhorada e aprimorada.

Imagem: Renato com Gil Arruda
Nathália Bulsing: Qual a sua opinião sobre o uso da Inteligência Artificial no futuro da narração esportiva?
Renato Basilla: Se aliada à capacidade humana de criar, improvisar e inventar, será de grande ajuda. Se for para tomar o lugar do ser humano por “reduzir” custos, lamentável e detestável.
Nathália Bulsing: Qual foi o conselho profissional mais valioso que você recebeu na sua carreira?
Renato Basilla: Trabalhe com algo que faça seus olhos brilharem e seu coração transbordar de alegria.
Nathália Bulsing: Quais os 5 jogadores vivos ou não que você convidaria para um churrasco?
Renato Basilla: Seriam Pelé, Maradona, Ronaldo, Romário e Bergkamp.
Nathália Bulsing: Para finalizar, qual o legado profissional que você espera deixar na narração esportiva brasileira?
Renato Basilla: Amor, respeito, honestidade, verdade, resiliência e personalidade.
Nathália Bulsing: Renato, muito obrigada pela sua generosidade e tempo em compartilhar sua história e paixão pela narração. Foi uma honra!
Com a visão clara de quem valoriza o aprendizado constante e a autenticidade, Renato Basilla encerra a entrevista reforçando a essência de seu trabalho: a união da técnica adquirida no teatro e do feeling do rádio, tudo em nome da emoção.
Mais do que apenas narrar gols, sua missão é ser os “olhos” do ouvinte e o “comandante” que dita o ritmo da paixão esportiva. Sua voz, portanto, continuará a ecoar a emoção do esporte, equilibrando a adrenalina do lance com a sabedoria de uma carreira construída com dedicação e propósito.

Imagem: Renato com parte da equipe Gil Arruda
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