Entrevista Exclusiva: O narrador de 27 anos, batizado como Hernande Gouvêa, revela a Nathália Bulsing os desafios da várzea, a adrenalina do futsal e a missão de dar voz aos sonhos da periferia.

Nando Gouvêa/ arquivo pessoal
A paixão que nasce no improviso do futebol de várzea e se lapida na disciplina do rádio tradicional pode, sim, alcançar os maiores palcos esportivos do país. Essa é a história de Nando Gouvêa, 27 anos, que carrega as raízes de Francisco Morato (SP) para as cabines de transmissão de competições como Libertadores e Brasileirão.
Em uma conversa aberta, Nando Gouvêa, que também atua como jornalista, editor e produtor, falou sobre a transformação da sua voz, a importância da família e o desafio de manter a emoção autêntica em tempos de VAR e transmissão digital.
Confira os melhores momentos da entrevista com o narrador que quer ser lembrado como a voz que inspira:
O Início e A Força da Paixão
Nathália Bulsing: Nando, antes de entrarmos no universo da narração, gostaríamos de te conhecer um pouco mais: Idade, onde mora. E, para começar a nossa conversa, você consegue nos contar de forma breve e marcante como foi o seu pontapé inicial na profissão, ou seja, como e onde tudo começou?
Nando Gouvêa: Meu nome artístico é Nando Gouvêa, mas meu nome de batismo é Hernande Gouvêa. Tenho 27 anos e nasci em Francisco Morato (SP), onde vivo até hoje. É aqui que mantenho minhas raízes, na cidade que me ensinou a ter voz, mesmo quando ninguém escutava. Meu pontapé inicial foi lá, na várzea, narrando jogos de futebol amador com microfone emprestado e uma vontade absurda de viver disso. O início foi horrível, meu primeiro jogo tinha tudo para eu desistir logo de cara. Mas, do meu pior, eu extraí o meu melhor e me apaixonei pela profissão.
Nathália Bulsing: A Origem da Paixão: Quando e como você descobriu que a narração esportiva seria a sua profissão, e não apenas um hobby?
Nando Gouvêa: Eu não me vejo apenas como um narrador de futebol, prefiro dizer que eu sou apenas um apaixonado por contar histórias. Eu descobri que seria minha profissão quando percebi que, mesmo sem microfone, eu já contava o que via.
A Evolução do Profissional
Nathália Bulsing: Do Rádio ao Digital: Sua carreira começou na Rádio Nova Difusora. Qual foi a principal diferença e o maior aprendizado ao migrar do rádio tradicional para as transmissões digitais?
Nando Gouvêa: O rádio é uma escola; ele te ensina ritmo, emoção e improviso. Mas migrar para o digital foi outro mundo. O maior aprendizado foi entender que a comunicação mudou — a narração hoje é também interação. O público te vê, comenta em tempo real, e a câmera virou minha nova arquibancada.
Nathália Bulsing: Experiência Multidisciplinar: Além da narração, você é jornalista, editor e produtor. Como essa visão 360 do conteúdo te ajuda a ser um narrador mais completo?
Nando Gouvêa: Me dá uma visão completa: do roteiro ao corte, da emoção à entrega. Eu não apenas narro; eu entendo o conteúdo como um todo, buscando um padrão profissional. Sei que o narrador dá a cara a tapa, mas representa sempre uma equipe de profissionais brilhantes.
Nathália Bulsing: O Salto: Você narrou competições de peso como Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão. Qual desses campeonatos foi o mais emocionante de narrar pela primeira vez?
Nando Gouvêa: Narrar a primeira Libertadores foi o momento mais emocionante da minha carreira. Ouvir o apito inicial e pensar: “eu estou aqui, narrando o que eu via pela TV quando era moleque” — não tem preço.
Versatilidade e Inclusão
Nathália Bulsing: O Desafio do Futsal: O que é mais desafiador na narração de futsal em comparação com o futebol de campo?
Nando Gouvêa: O futsal é intenso, rápido, exige reflexo e fôlego. No campo, você tem tempo para respirar; no futsal, piscou, perdeu o gol. É pura adrenalina e isso me fez evoluir muito.
Nathália Bulsing: Narrando a Inclusão: Seu trabalho na Taça das Favelas pelo canal FIFA TV é notável. Qual a importância de dar voz a um projeto de inclusão social através do esporte?
Nando Gouvêa: É especial. É dar voz a quem quase nunca tem. Ali, o futebol é mais que jogo: é transformação, é esperança. Narrar esses jovens é narrar sonhos que saem do asfalto e chegam ao mundo.
Nathália Bulsing: Gil Arruda: Quando e como começou tua relação com o Gil?
Nando Gouvêa: É um cara que me inspira muito. Eu cheguei a pedir oportunidade na rádio dele no meu começo, e ele nunca me respondeu no LinkedIn, hahaha! Meses depois, passamos a trocar conhecimento como profissionais. Acompanho a carreira dele e torço muito por ele.

Nando com parte da equipe Gil Arruda Sport/ arquivo pessoal
A Técnica e o Lado Pessoal
Nathália Bulsing: Preparação Vocal: A voz é a sua principal ferramenta. Qual é a sua rotina diária de aquecimento, cuidados e como você lida com a fadiga vocal?
Nando Gouvêa: Cuido da voz como um atleta cuida do corpo. Faço aquecimento todos os dias, hidrato muito e respeito meus limites. Quando tem sequência de jogos, o segredo é silêncio e descanso.
Nathália Bulsing: A Hora do Gol: Existe uma “fórmula Nando Gouvêa” para o grito de gol? Como você equilibra a emoção do momento com a clareza para o ouvinte?
Nando Gouvêa: Não existe fórmula, existe sentimento. Eu deixo a emoção me guiar. O gol é o ápice, e o público precisa sentir isso junto comigo. Mas o grito tem que ter clareza e ritmo, não só volume. Meu bordão de gol é “BALANÇOU A REDE, É GOL.”
Nathália Bulsing: Lado B da Fama: Qual foi o sacrifício pessoal ou a rotina que você teve que abrir mão para construir a carreira de sucesso que tem hoje?
Nando Gouvêa: Abrir mão de tempo com a família e vida social. Enquanto muita gente descansava no fim de semana, eu estava narrando. Mas o amor pela profissão me sustenta.
Nathália Bulsing: Família: Qual a sensação de ver tua mulher e tua filha te ouvindo?
Nando Gouvêa: Ver minha esposa e minha filha me ouvindo é o meu maior troféu. Elas são o meu motivo para continuar mesmo quando a voz falha. Cada narração é por elas, por minha mãe, meu pai, que sempre acreditaram.
O Futuro e o Legado
Nathália Bulsing: Xsports: Como foi tua estreia? E qual a sensação em saber que estava entrando para a história do novo canal esportivo brasileiro?
Nando Gouvêa: Minha estreia foi inesquecível. A sensação é de orgulho. É o tipo de coisa que o moleque da várzea jamais imaginava viver. É uma responsabilidade grande, e o time é talentoso. O que pode melhorar é o tempo, o tempo de entrosar ainda mais com o público e os colegas.

Nando Gouvêa/ arquivo pessoal
Nathália Bulsing: O Salto Digital: Qual conselho você daria para um jovem comunicador que deseja usar o ambiente digital para se destacar no jornalismo esportivo?
Nando Gouvêa: Seja verdadeiro. Use o digital para mostrar sua essência. Não copie ninguém. A internet recompensa quem é autêntico e entrega emoção real. E o principal, TENHA FÉ, ACREDITE EM DEUS. Mateus 9:29 — “Vai acontecer conforme a sua fé.”
Nathália Bulsing: Legado: Como você gostaria de ser lembrado pelo público e pelos colegas de profissão daqui a 20 anos?
Nando Gouvêa: Quero ser lembrado como a voz que nunca desistiu. Que veio da periferia, acreditou e conquistou. Que inspirou outros a acreditarem também.
Nathália Bulsing: E, por último, quais os 5 jogadores vivos ou mortos que tu chamaria para um churrasco?
Nando Gouvêa: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Pelé, Neymar e Falcão. A resenha já alimentava todo mundo.
Mensagem Final do Narrador:
“A todos que me acompanham, meu muito obrigado. A voz é minha, mas o eco é de vocês. Continuem acreditando, porque o sonho não tem microfone: ele tem coragem.”
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