Dando continuidade a serie: “Conhecendo a equipe Gil Arruda Sports”, hoje a entrevista será com o cara que trocou as quatro linhas da sala de aula pelo microfone.
Nathália Bulsing: Olá, Mário Melo! É um prazer ter você aqui. A gente vai bater um papo leve, mas super profissional, para que o público conheça um pouco mais da pessoa por trás da voz que narra grandes jogos. Para começar, conta para a gente: quem é o Mário, o que você faz quando não está com o microfone na mão e quais são as suas paixões “fora de campo”?
Mário Melo: O prazer é todo meu, Nathália! Tenho 35 anos e sou um paulista que rodou pelo Vale do Paraíba — nasci em Cruzeiro, fui para Taubaté aos 7 anos e agora estou em São Paulo por conta de toda essa correria da comunicação. Além de narrar, sou um grande apreciador de cultura em geral (música, filmes, livros) e, claro, esportes em geral. Mas, honestamente, nada supera passar um tempo de qualidade com a família e os amigos. É o meu recarregador de baterias.

Imagem: Mário Melo com Gil Arruda
A Conexão Inesperada: Geografia e a Narração
Nathália Bulsing: Você tem uma formação super interessante: Professor de Geografia. O que o mapa e o microfone têm em comum? Você usa esse conhecimento geográfico de alguma forma na narração, tipo citando cidades, estádios, ou a origem dos jogadores?
Mário Melo: Essa é uma ótima pergunta! Eu digo que todo mundo no jornalismo esportivo tem um pezinho na Geografia. Seria um desperdício estar numa cidade cobrindo um evento e não explorar nada, nem conhecer um pouquinho do local. A curiosidade nata do jornalista já o incomoda a descobrir algo para passar ao público, e isso é pura Geografia. Não tem jeito, para quem se aventura na nossa área, a Geografia (e a História também!) acaba sendo uma matéria obrigatória de forma muito natural. Saber que um lugar foi palco de grandes eventos históricos, por exemplo, enriquece demais a transmissão. É o tempero.
Nathália Bulsing: Fantástico! E falando em caminhos… você é filho de jornalistas. Foi natural seguir essa carreira tão ligada à comunicação? Seus pais te deram aquele “toque” de ouro no início?
Mário Melo: É uma história engraçada, porque eu decidi mudar de área há menos de dois anos! Eu era focado em ser professor. De dois anos para cá, quando a vida me levou para o caminho dos meus pais, eles começaram a me orientar para moldar o profissional. Mas na narração em si, eu fui atrás de quem mais entende. O Gil [Arruda] me ajudou demais a aprofundar os estudos nessa parte.
Bastidores, Emoção e Rotina
Nathália Bulsing: Agora vamos para a emoção pura! Você já narrou algum jogo em que o que estava acontecendo em campo era tão eletrizante que você quase perdeu a voz?
Mário Melo: Sim, Nathália, já! E mais de uma vez! A mais recente foi na final da Nations League que fiz pela Gil Arruda Sports. Foi um jogo lá e cá, 2×2, prorrogação, pênaltis, e a explosão com o título de Portugal. Se você for ouvir a transmissão, dá para notar que a voz ficou um pouco rouca, sim!
Nathália Bulsing: E qual é aquele jogo que você ainda sonha em narrar? O ápice da carreira para você?
Mário Melo: Sem dúvida, a Copa do Mundo (tanto a masculina quanto a feminina). Para mim, é o ponto mais alto do esporte mais popular do mundo. Contar a história de uma Copa do Mundo para o público brasileiro é um dos meus maiores objetivos.
Nathália Bulsing: E antes de entrar na cabine, você tem algum ritual ou é mais prático? Tipo, aquele pé direito que tem que entrar primeiro?
Mário Melo: Eu sou super sistemático na organização, mas zero supersticioso! Gosto de organizar a escalação em lista, colocar as cores do uniforme certinho, e tenho minha forma de estudar e organizar as informações. Gosto de sentar em um determinado lado e, ultimamente, tenho optado por empunhar o microfone em vez de deixá-lo no pedestal. Mas é tudo por comodidade, não tem nada de roupa da sorte ou pé direito!

Imagem: Mário Melo com parte da equipe
O Processo de Narrar e Inspirar
Nathália Bulsing: Você se considera mais narrador ou comentarista? E qual função te dá mais prazer?
Mário Melo: Sou mais narrador mesmo. Eu comento algumas vezes, mas não é minha principal função. Eu amo dar a emoção devida ao jogo com a entonação, chamar o espectador junto no lance envolvente, contar a história. É o que me move. O trabalho do comentarista é extremamente técnico na análise, e eu preciso evoluir mais nesse quesito.
Nathália Bulsing: Além da voz, qual é a principal ferramenta de um bom narrador?
Mário Melo: A pesquisa. Não tem jeito. O narrador não pode entrar frio para o jogo. Ele precisa trazer uma bagagem de conhecimentos prévios: a história dos times, o momento atual, o desempenho dos jogadores. É preciso servir tudo isso de “entrada” para, depois, entregar o “prato principal”, que é o jogo em si. Sem estudo e a troca de ideias com os colegas, a transmissão fica desconexa.
Nathália Bulsing: Falando em desafios, o que é mais desafiador: narrar um jogo com muitos lances e gols ou um jogo monótono?
Mário Melo: Jogo monótono, sem dúvidas. Quando não acontece muita coisa, a gente tem que prender a atenção do espectador com a nossa pesquisa, sair um pouquinho do campo para trazer uma história interessante. É aí que a pesquisa faz o maior trabalho.

Imagem: Mário Melo e o também narrador Caio Alves
Nathália Bulsing: Para fechar essa parte, se você pudesse dar um único conselho para quem quer começar na área, qual seria?
Mário Melo: Estudar muito, o máximo de esportes que conseguir. E aprimorar a cultura. É sempre bom ter boas referências de músicas, filmes, cultura popular, para enriquecer a narrativa.
Inserção do Bloco Faltante
Nathália Bulsing: E a propósito, qual foi a reação da tua esposa quando tu resolveste mudar de profissão? Ela te apoiou nesse passo tão grande?
Mário Melo: Ela me apoiou muito. Quem sugeriu que eu deveria trabalhar com jornalismo esportivo pela primeira vez foi o meu sogro. Acho que por ter a aprovação dele, minha esposa também abraçou a causa. Foi ela quem pagou o meu primeiro curso na área. Ela também observava o prejuízo para a minha saúde mental na área da educação. Me acolheu muito na busca por uma profissão onde eu seria mais feliz.
Nathália Bulsing: Isso é lindo! E o que mais você se orgulha na tua trajetória profissional até agora?
Mário Melo: Me orgulho da minha família e dos meus amigos. Me deram todo o apoio e incentivo para uma mudança de carreira que parecia ser loucura.
Vida Pessoal e Lições
Nathália Bulsing: Vamos ao lado pessoal de novo. O que você faz nos seus dias de folga para relaxar e “desligar” do trabalho?
Mário Melo: Passo tempo com a família, faço exercícios físicos, ouço música e assisto a um bom filme. O básico que funciona.
Nathália Bulsing: E a pergunta que não quer calar: você consegue assistir a um jogo de futebol em casa sem “ligar o modo narrador”?
Mário Melo: Não! Hahahahaha. Não consigo mais, Nathália. Desde que me tornei narrador, é impossível assistir sem prestar atenção na técnica e no estilo do colega que está na transmissão. A gente se vicia em analisar.
Nathália Bulsing: Qual foi a maior lição de vida que o esporte te ensinou?
Mário Melo: O esporte é o lugar onde o impossível mais pode acontecer. Isso me trouxe uma lição para a vida. Ver tanta coisa acontecendo na minha vida que eu achava ser impossível me faz lembrar dos jogos que narrei onde situações pouco prováveis se concretizaram.
Nathália Bulsing: Que lição poderosa! E para fechar com chave de ouro, com quem você convidaria para um churrasco? Cinco jogadores de futebol, da história ou da atualidade, para a resenha ser garantida?
Mário Melo: Ah, aí eu iria passar mal de tanto rir! Seriam: Marcão, Vampeta, Denílson, Adriano Imperador e Aloísio Chulapa. A resenha seria épica.
Nathália Bulsing: Que seleção maravilhosa! Mário, sua história de vida, o apoio da sua família e a coragem de mudar de área são uma lição e tanto! Saímos daqui inspirados não só pelo narrador, mas pelo profissional que busca a felicidade. Muito obrigada pela leveza e pela seriedade deste bate-papo. Sucesso, e que você continue levando essa emoção para o público!
Mário Melo: Muito obrigado, Nathália! Foi excelente!
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