
A vitória do Atlético Mineiro sobre o Ceará pelo Brasileirão rendeu mais do que três pontos na tabela: reacendeu um debate que, para muitos, está além das quatro linhas. Após a partida, o técnico Cuca afirmou: “Nós vencemos, e eu acho que a estratégia foi perfeita. Lógico que é arriscado deixar um ídolo como o Hulk fora, mas não foi por opção técnica e sim por estratégia de jogo.” A frase, embora diplomática, abriu margem para interpretações mais profundas. Teria sido mesmo uma escolha puramente tática? Ou estamos diante de um embate silencioso entre duas figuras de forte personalidade?
Estratégia de jogo ou aviso velado?
Cuca é um treinador experiente, acostumado a lidar com grandes nomes e vestiários complexos. Já Hulk, aos 38 anos, é ídolo alvinegro, referência técnica e emocional da equipe. A ausência do atacante no jogo contra o Ceará causou surpresa, não apenas pela importância do jogador, mas pelo contexto: era um duelo direto e o Galo precisava vencer.
A justificativa do técnico, ao dizer que foi “estratégia”, é plausível. Hulk tem características específicas — é um jogador de força, presença de área e finalização — e talvez Cuca tenha optado por mais mobilidade e recomposição no ataque. No entanto, o tom da declaração e o fato de ressaltar que “agora na sequência é diferente”, soou como um recado público: há hierarquia e o comandante tem a palavra final.
O vestiário e os bastidores
Nos bastidores, não é segredo que Hulk é uma liderança vocal, que cobra, se posiciona e, por vezes, confronta decisões que não condizem com sua leitura de jogo. Cuca, por sua vez, é conhecido por exigir disciplina tática e respeito absoluto às suas convicções. O histórico entre ambos não é conflituoso, mas tampouco é isento de atritos — comuns, inclusive, em elencos estrelados.
Os confrontos entre o técnico Cuca e o atacante Hulk têm marcado o futebol brasileiro nos últimos anos, revelando uma relação de altos e baixos dentro e fora de campo. Desde a primeira passagem de Cuca pelo Atlético-MG em 2021, quando Hulk chegou ao clube, os dois protagonizaram momentos de tensão e reconciliação — como o episódio de desentendimento em julho de 2021, seguido por uma reaproximação durante a campanha vitoriosa do Galo no Brasileirão. Em 2022, um novo atrito veio à tona após uma substituição polêmica em agosto, reacendendo os rumores de desgaste na relação. Agora, em 2025, com ambos novamente em destaque no cenário nacional, os embates entre treinador e jogador ganham novos capítulos e colocam em xeque a harmonia nos bastidores dos clubes por onde passam.
A grande questão é: o banco foi um gesto técnico ou simbólico? O que se viu foi uma equipe mais leve, explorando velocidade, mas com pouca presença de área. A ausência de Hulk pode ter sido, ao mesmo tempo, um teste de alternativas e uma reafirmação de autoridade por parte do treinador.
O que vem pela frente?
A declaração de Cuca, ao dizer que “na sequência é diferente”, pode ser vista como uma tentativa de apaziguar e reintegrar Hulk de forma natural, sem escalar a tensão. Mas o que se instala é uma vigilância midiática e torcedora sobre o relacionamento entre ambos. Afinal, quando um ídolo vai para o banco, as perguntas são inevitáveis.
No fim das contas, o Atlético venceu — e isso, por ora, silencia as especulações. Mas no futebol, especialmente em clubes grandes, vitórias momentâneas não resolvem dilemas maiores. Se for um embate estratégico, Cuca será cobrado por coerência nas próximas escalações. Se for uma briga de ego, o tempo (e os resultados) tratarão de definir o vencedor.
O que é certo é que, no Galo, a convivência entre ídolo e comandante será uma das narrativas mais interessantes do restante da temporada.
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