A intersecção entre a maternidade e o esporte de alto rendimento é um território fascinante, repleto de histórias de resiliência, paixão e superação. Longe de ser um obstáculo intransponível, a maternidade para muitas atletas se transforma em um catalisador, uma fonte inesgotável de motivação que as impulsiona a alcançar patamares ainda mais elevados em suas carreiras. A jornada dessas mulheres extraordinárias desafia estereótipos e redefine o conceito de força e dedicação no mundo esportivo.
A complexidade de conciliar a exigente rotina de um atleta profissional – treinos rigorosos, viagens constantes, competições de alto nível, recuperação física e mental – com as demandas da criação de um filho é imensa. Envolve uma intrincada dança logística, que muitas vezes requer o apoio integral de familiares, parceiros e equipes. A privação de sono, a necessidade de estar presente em momentos cruciais do desenvolvimento infantil e a pressão de retornar à forma física após a gravidez são apenas alguns dos desafios enfrentados. No entanto, é justamente nessa complexidade que reside a beleza e a inspiração dessas histórias.
Para muitas atletas, a maternidade proporciona uma nova perspectiva sobre o esporte. A responsabilidade de criar um filho pode intensificar o desejo de ser um modelo positivo, de demonstrar através da própria dedicação e sucesso a importância da perseverança e da busca pelos sonhos. A vitória ganha um novo significado, transcendendo a conquista pessoal para se tornar um exemplo para a família, um legado a ser construído. A maternidade também pode trazer uma maturidade emocional e uma clareza mental que se traduzem em um desempenho mais consistente e focado dentro de campo, quadra ou pista.
Ao longo da história, diversas atletas maternas não apenas competiram em alto nível, mas também dominaram suas respectivas modalidades, deixando um legado duradouro e inspirando uma nova geração de mulheres. Vamos explorar com mais detalhes algumas dessas figuras icônicas:
Serena Williams, amplamente considerada uma das maiores tenistas de todos os tempos, personifica a força e a resiliência da mulher atleta e mãe. Após o nascimento de sua filha Alexis Olympia em 2017, Serena enfrentou complicações de saúde pós-parto que a afastaram das quadras por um período significativo. Seu retorno ao circuito profissional foi marcado por uma determinação inabalável de provar que a maternidade não era o fim de sua carreira, mas sim um novo capítulo.

imagem: Clive Brunkill/ Getty Images
A jornada de Serena após o parto foi repleta de desafios físicos e emocionais, mas sua paixão pelo tênis e o desejo de inspirar sua filha a impulsionaram a voltar ao mais alto nível da competição. Ela alcançou finais de Grand Slam após o nascimento de Olympia, demonstrando uma forma física e mental impressionantes. Sua luta por igualdade de gênero e seus relatos sobre as dificuldades enfrentadas como mãe no esporte de elite a tornaram uma voz importante na defesa dos direitos das atletas maternas. Serena mostrou ao mundo que é possível conciliar a maternidade com a excelência no esporte, redefinindo os limites do que uma mulher pode alcançar.
Em 2022, Serena se aposentou das quadras de tênis com 858 vitórias, 73 títulos de simples, uma medalha de ouro olímpica e 319 semanas em primeiro lugar. Em agosto de 2023, nasceu a sua segunda filha, que se chama Adira.
ALLYSON FELIX:

Imagem: Reprodução/Instagram
Allyson Felix, a atleta mais condecorada da história do atletismo americano, tornou-se uma poderosa defensora dos direitos das mães atletas após vivenciar as dificuldades de retornar à competição após o nascimento de sua filha Camryn. Felix enfrentou a pressão de patrocinadores e a falta de apoio para atletas grávidas ou no pós-parto, o que a levou a usar sua plataforma para lutar por mudanças significativas na indústria esportiva.
Sua própria jornada de volta às pistas após uma gravidez desafiadora, culminando em medalhas em campeonatos mundiais e nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, é uma inspiração para inúmeras mulheres. Allyson demonstrou que a maternidade não diminui a capacidade de uma atleta de competir em alto nível, mas pode, na verdade, fortalecer sua determinação e foco. Sua coragem em compartilhar suas experiências e lutar por melhores condições para outras mães atletas deixou um legado que transcende suas conquistas nas pistas.
Allyson é mãe de um casal: uma menina, chamada Camryn , que nasceu em 2018, e um menino, que nasceu em 2024.
Priscila Heldes

Imagem: Marina Garcia
No Brasil temos várias mães atletas e um exemplo atual é a levantadora Priscila Heldes, aos 33 anos. Ela está fazendo história ao jogar profissionalmente enquanto espera seu primeiro filho, Emanuel, cuja chegada é aguardada com carinho. A notícia da gravidez de Pri Heldes, divulgada em fevereiro de 2025, gerou uma onda de debates e discussões dentro e fora do mundo esportivo. Para muitos, a ideia de uma atleta de alto rendimento continuar competindo com a gestação avançada levantou questionamentos sobre os riscos envolvidos e a compatibilidade entre as exigências físicas do vôlei profissional e o bem-estar da mãe e do bebê. No entanto, a decisão de Pri Heldes de seguir atuando, amparada por rigoroso acompanhamento médico e pela aprovação de sua equipe, desafiou essas percepções e abriu um diálogo crucial sobre a autonomia e as escolhas das mulheres no esporte.
Completando quase seis meses de gestação em abril. Em cada partida, ela demonstra que a gravidez, embora traga consigo novas considerações e cuidados, não necessariamente implica em uma perda de performance ou de paixão pelo esporte.
Em suas entrevistas, Pri Heldes tem compartilhado abertamente sua experiência, enfatizando a importância do acompanhamento médico constante e das precauções tomadas para garantir a segurança tanto dela quanto de Emanuel. Ela explica que seu corpo, moldado por anos de prática do voleibol em alto nível, possui uma adaptação singular à atividade física. Sua decisão de continuar jogando não foi tomada de forma leviana, mas sim baseada em avaliações médicas detalhadas e em sua própria escuta atenta ao seu corpo.
A atitude de Pri Heldes vai além da sua própria trajetória individual; ela lança luz sobre a necessidade urgente de desconstruir tabus e preconceitos arraigados na sociedade e no mundo do esporte. Por muito tempo, a gravidez foi vista como um período de afastamento compulsório da vida profissional para as mulheres, como se a capacidade de gerar uma vida implicasse na impossibilidade de continuar exercendo suas paixões e talentos. A presença de Pri em quadra, grávida e atuante, desafia essa mentalidade e inspira outras mulheres a questionarem as limitações impostas e a buscarem formas de conciliar a maternidade com suas carreiras.
O ambiente de apoio que Priscila encontra no Fluminense é um fator crucial para que ela se sinta segura e motivada a seguir jogando. Suas companheiras de equipe, a comissão técnica e a diretoria do clube têm demonstrado compreensão e oferecido o suporte necessário para que ela possa continuar contribuindo para o time enquanto vivencia esse momento especial em sua vida pessoal. Essa união de esforços reforça a importância de um ambiente de trabalho inclusivo e acolhedor para atletas que desejam construir uma família sem ter que sacrificar suas carreiras.
Uma vivência singular que enriquece ainda mais sua jornada e a torna um exemplo ainda mais inspirador neste Dia das Mães, celebrando a simbiose entre a vida que cresce em seu ventre e a paixão que pulsa em seu coração de atleta.
Embora a decisão de Pri Heldes possa gerar diferentes pontos de vista, é inegável o impacto positivo de sua história. Ela personifica a força da mulher em sua plenitude, capaz de amar, gerar e, simultaneamente, perseguir seus sonhos e paixões com garra e determinação. Sua presença nas quadras da Superliga, grávida e competitiva, envia uma mensagem poderosa para outras atletas e para todas as mulheres: a maternidade não precisa ser um ponto final em suas carreiras ou aspirações. Pelo contrário, pode ser uma nova fonte de energia e motivação para alcançar novos patamares.
Pri Heldes vive a maternidade de forma plena, sem abrir mão de sua identidade como atleta de alto nível, e sua jornada inspiradora é um presente valioso para todas as mães e para o mundo do esporte. Sua presença em quadra é uma celebração da vida, da força e da paixão, tornando este Dia das Mães ainda mais especial e memorável.
Além dessas referências, inúmeras outras atletas maternas deixaram e continuam a deixar sua marca no esporte mundial. No futebol, por exemplo, a longevidade e a liderança de Christie Rampone na seleção americana por tantos anos após o nascimento de suas filhas são notáveis. No atletismo, nomes como Paula Radcliffe, que venceu maratonas importantes após se tornar mãe, também merecem destaque. No mundo do basquete, Candace Parker continua a brilhar na WNBA enquanto concilia a carreira com a maternidade.
Cada uma dessas histórias, com suas particularidades e desafios, contribui para um mosaico inspirador que celebra a força, a resiliência e a paixão das mães no esporte profissional. Elas provam que a maternidade não é um freio para o sucesso atlético, mas sim um motor que impulsiona conquistas e redefine os limites do que é possível alcançar. O legado dessas atletas vai além de medalhas e recordes; elas inspiram futuras gerações de mulheres a perseguirem seus sonhos em todas as áreas da vida, mostrando que a maternidade e a excelência podem, sim, caminhar juntas. O mundo do esporte é mais rico e inspirador graças a essas mães que conquistam o mundo com sua garra e amor incondicional.
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