A Copa do Mundo da FIFA 2026 está se aproximando e a Seleção Brasileira não vive um bom momento nas Eliminatórias. Ocupando hoje a quarta colocação, com apenas 21 pontos, o Brasil se vê em estado de alerta por conta das atuações fracas e desanimadoras. No entanto, a polêmica da vez não está relacionada ao futebol apresentado em campo.
A Seleção deve entrar em campo na próxima Data FIFA com um treinador interino. Após a demissão de Dorival Júnior, circulam apenas rumores de que o técnico italiano Carlo Ancelotti — atualmente no comando do Real Madrid — deve assumir o cargo antes do novo Mundial de Clubes. O Brasil enfrenta o Equador (fora de casa) no dia 5 de junho e o Paraguai (em casa) no dia 10.
Alerta vermelho e polêmica
A “Canarinho” — como carinhosamente é chamada a Seleção — ainda não se recuperou da traumática eliminação na Copa de 2022 e da saída de Tite. A derrota por 4×1 para a Argentina selou a demissão de Dorival e aumentou o clima de desconfiança entre os torcedores. Ainda assim, nada gerou tanto debate quanto o vazamento da nova camisa reserva para a próxima Copa do Mundo.
De acordo com o site especializado Footy Headlines, a Seleção Brasileira utilizará um uniforme vermelho como segunda opção em 2026. O novo kit será produzido pela Jordan Brand, substituindo o tradicional “swoosh” da Nike. A camisa trará um tom de vermelho desbotado, com listras pretas que lembram manchas, estendendo-se também ao calção — formando uma composição visual mais ousada. A novidade rompe com mais de 60 anos de tradição da camisa azul como uniforme alternativo.
Um momento delicado
O Brasil atravessa um momento sensível, marcado por divisões políticas e debates intensos. Mesmo que a Seleção já tenha usado vermelho em outras ocasiões, surge a dúvida: este é o momento mais apropriado para adotar essa cor em um uniforme? Entre tantas discussões, uma pergunta ecoa com força entre torcedores: por que misturar futebol com política?
Na verdade, a resposta é simples: o esporte sempre esteve ligado à política. Seja para fins de promoção ou protesto, o futebol nunca esteve alheio a contextos políticos e sociais.
A Alemanha na Copa de 1938, a Argentina em 1978 e o Brasil em 1970 são exemplos emblemáticos. Neste último caso, o tricampeonato mundial foi usado como símbolo de força do país, com o slogan “Ninguém segura este país” promovido pelo regime militar. O Barcelona também representa um marco: tornou-se símbolo da resistência catalã durante o regime de Franco, na Espanha.
Esses e muitos outros momentos demonstram que o futebol é, sim, uma ferramenta de expressão social e política — e continuará sendo.
Por que vermelho?
Certamente, a fornecedora americana — que renovou seu contrato com a CBF até 2038 — levou em conta o cenário político do Brasil e pode estar apostando em uma jogada ousada de marketing. Afinal, quando foi a última vez que se falou tanto sobre o uniforme da Seleção Brasileira?
Apesar de inusitado, o vermelho tem mais relação com a história do Brasil do que muitos imaginam.
Como já mencionado, a Seleção utilizou a camisa vermelha em raras ocasiões. Mais recentemente, ela foi usada apenas por goleiros. Mas em 1917, durante o Sul-Americano, o Brasil entrou em campo com camisa vermelha após um problema de uniformes — já que Argentina e Chile também usavam branco, e o Brasil ainda não havia adotado o amarelo.
Há também um vínculo cultural importante: o nome “Brasil” deriva do pau-brasil, árvore que contém um pigmento vermelho intenso. Ou seja, o vermelho também é parte da identidade nacional — e isso não está ligado a um “lado político” A ou B.
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